
Google ou Instagram? O mapa é simples. A decisão, nem tanto.
A regra do desejo e da necessidade resolve a maioria dos casos. Te mostro o caso em que ela falha — e o que dois restaurantes fizeram, com a mesma verba.
Por Maurico Waldeck · Especialista em tráfego pago e crescimento para PME | Fundador do Método Azon
Toda semana um dono de negócio me faz a mesma pergunta.
"Maurício, eu anuncio no Google ou no Instagram?"
Existe uma regra pra isso. Ela é simples e acerta na maioria das vezes. Mas foi confiando cegamente nela que muita empresa começou a investir no lugar mais caro, mais lento — e sem resultado.
Deixa eu te dar o mapa primeiro. Depois te mostro a hora de rasgá-lo.
O mapa: desejo ou necessidade
Antes de escolher o canal, responde uma coisa: seu cliente compra por desejo ou por necessidade?
Desejo é a compra por impulso. Uma pulseira, uma roupa, um doce na vitrine. Ninguém acorda precisando de uma pulseira. Você vê, gosta, compra. Esse tipo de compra nasce quando a pessoa esbarra no produto. O lugar de esbarrar é o Instagram — você não foi procurar, o anúncio te achou.
Necessidade é a compra racional. Uma reforma, um encanador, um advogado. Você não vê um vídeo de encanador e pensa "vou contratar esse". Quando o cano estoura, você vai ao Google e procura. É uma compra que costuma exigir pesquisa e um grau a mais de confiança. O lugar de ser procurado é o Google — a pessoa já está te buscando.
Guarda isso: desejo, Instagram. Necessidade, Google. Esse mapa resolve a maior parte dos casos.
Agora, o problema.
A hora de rasgar o mapa
Pela regra, restaurante é necessidade. Quando bate a fome de pizza, você não espera um vídeo aparecer — você vai ao Google e pergunta as pizzarias perto de você. Então a maioria dos profissionais de anúncio levaria o restaurante direto pro Google.
Eu raramente faço isso com quem está começando agora. E o motivo não é teoria — é caixa.
Google, pra funcionar, costuma pedir um site, alguém mexendo e melhorando esse site toda semana, um profissional que cobra mais caro, mais tempo até maturar e, quase sempre, mais verba pra sair do zero. Instagram você toca com um celular na mão. Grava, posta, ajusta no mesmo dia. E hoje um vídeo simples e real costuma dar mais resultado que uma produção cara.
Pra uma pequena empresa de verba curta, isso muda tudo. O canal "certo" pela regra pode te sangrar antes de dar retorno. O canal "errado" pela regra pode te dar resultado na primeira semana.
Foi o que aconteceu com dois restaurantes de alto padrão que atendi em 2024. Cada um investia por volta de R$2 mil por mês. A regra mandava pro Google. Eu comecei os dois no Instagram.
Mas tinha uma armadilha esperando lá.
Onde a verba evapora
Restaurante no Instagram quase sempre comete o mesmo erro: faz o vídeo lindo do prato. Aquele close no hambúrguer escorrendo, na picanha na brasa. Dá água na boca. Você assiste e pensa "preciso ir lá".
E não vai.
Porque tem um buraco entre o momento em que você vê o anúncio e o momento em que dá pra ir. Você vê a picanha às três da manhã. Vê o menu de café às dez da noite. Quando bate a fome de verdade, dois dias depois, você já viu outros cinquenta anúncios e esqueceu daquele restaurante.
Repara no que aconteceu: o restaurante pagou pra gerar o seu desejo. O desejo veio. E evaporou antes de virar reserva.
Isso é queimar verba com anúncio bonito. E é aqui que a maioria para.
O pulo do gato: o micro-compromisso
A virada não foi trocar de canal nem colocar mais dinheiro. Foi parar de só gerar desejo — e capturar a decisão na hora, antes dela evaporar.
Chamo isso de micro-compromisso: um "sim" pequeno que a pessoa dá de imediato e que a amarra a aparecer.
Veja o que montamos com esses dois restaurantes.
Primeiro, em vez de anunciar prato, testamos som. Fizemos uma pesquisa do gosto do público — jazz, MPB, bossa nova — e rodamos anúncios com trilhas diferentes ao fundo. Medimos em quais anúncios as pessoas assistiam por mais tempo antes de pular. Isso disse, barato e antes de gastar com banda, qual estilo o público realmente parava pra ouvir.
Com essa leitura, o restaurante montou uma agenda de shows ao vivo — colocando as atrações nos dias de movimento fraco. Sem chutar. Sem contratar uma banda que ninguém ia querer ver.
Aí mudou o anúncio. Não era mais "venha conhecer nosso restaurante". Era "reserve sua mesa para o especial Frank Sinatra, sexta". Quem se interessava não podia deixar pra depois: pra garantir a mesa, precisava reservar naquele momento. O micro-compromisso.
E tem mais duas peças que fecham a conta.
Quando a pessoa chamava pra reservar, a decisão de ir saía da mão dela e entrava na mão do restaurante — tinha alguém do outro lado pra concluir a reserva, não deixar esfriar. E a reserva tinha um valor, que depois virava consumo no dia. Ou seja: dinheiro entrando antes, num dia que costumava ser fraco. Receita garantida com antecedência.
Mesma verba de R$2 mil. Sem trocar pro Google. Sem contratar programador. Só pararam de vender desejo que some e passaram a vender um lugar reservado numa noite específica.
A decisão de segunda-feira
O mapa continua valendo: desejo puxa Instagram, necessidade puxa Google. Use como ponto de partida — não como resposta final. Se você está começando, com pouca verba, teste onde é barato produzir e rápido de corrigir. Quase sempre é o Instagram.
Mas a decisão que muda o jogo não é o canal. É essa:
Pare de só gerar desejo. Crie um micro-compromisso.
Olha o caminho que seu cliente faz até comprar e pergunta: onde o interesse dele evapora antes de virar dinheiro? É ali que você precisa de um "sim" imediato que amarre a decisão.
Restaurante, é a reserva da mesa. Clínica, é o horário marcado com sinal. Loja, é o produto separado no seu nome. Arquiteto, é a reunião de diagnóstico agendada com dia e hora.
Não importa o nicho. O desejo que você paga pra criar tem prazo de validade curto. Ou você captura a decisão na hora, ou paga de novo amanhã pra criar o mesmo desejo — que vai evaporar de novo.
Você não precisa de mais verba. Precisa parar de deixá-la evaporar entre o "que vontade" e o "vou lá".
Maurício Waldeck é fundador do método Azon e opera crescimento para pequenas e médias empresas através de gestão de tráfego pago. Quem quiser um Diagnóstico fala com ele no (96) 99166-0999 ou no Instagram @mauriciowaldeck.