
17 espaçonaves rastreiam mesma ejeção solar e revelam estrutura inédita
Estudo na Science Advances usou 17 espaçonaves para mapear ao mesmo tempo uma ejeção de massa coronal de dezembro de 2024 e encontrou uma estrutura assimétrica que passaria despercebida com um único ponto de observação.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: 17 pontos de observação ao mesmo tempo
Imagine tentar entender a forma de uma nuvem observando por apenas uma janela. Foi mais ou menos esse o problema que astrofísicos resolveram ao usar, pela primeira vez, um recorde de 17 espaçonaves para rastrear a mesma ejeção de massa coronal (CME) — um jato de plasma e campo magnético expelido pelo Sol — simultaneamente, de pontos diferentes do sistema solar interno.
O que está confirmado
A CME em questão explodiu do Sol em 15 de dezembro de 2024, às 00h48 UT. Segundo o estudo, liderado por Adrienn Luspay-Kuti, do Laboratório de Física Aplicada da Johns Hopkins University, e publicado em 19 de agosto na revista Science Advances, a ejeção tinha estrutura assimétrica, dividida em dois lobos que viajavam em velocidades bem diferentes. Um lobo mais rápido seguiu em direção à Terra e a Marte; um lobo mais lento e maior seguiu rumo à sonda STEREO-A. Medições da sonda Europa Clipper, da Nasa, também captaram uma estrutura "muito mais complexa do que se poderia inferir de observações de um único ponto".
O que é hipótese
Os autores levantam a possibilidade de que CMEs assimétricas como essa sejam mais comuns do que se pensava — mas essa é uma extrapolação a partir de um único evento bem documentado, não uma conclusão fechada. Será preciso repetir esse tipo de rastreamento multiponto em outras ejeções para confirmar o padrão.
Foto: reprodução/space.com
Por que isso importa
Ejeções de massa coronal são a principal causa de tempestades geomagnéticas, capazes de afetar satélites, redes elétricas e comunicações. Entender sua estrutura real — em vez da versão simplificada captada por um único observatório — é peça central para previsão de clima espacial, especialmente pensando em futuras missões tripuladas à Lua e a Marte, onde astronautas ficam mais expostos à radiação solar.