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Smart CitiesGadgets25 de ago. de 2026, 22:29

190 agora pode pedir vídeo ao vivo do seu iPhone em emergência

A Apple liberou no Brasil o recurso que permite a atendentes do 190 solicitar imagens da câmera ao vivo durante chamadas de emergência, via tecnologia da RapidSOS. Mas quem garante que toda central no país está com o sistema pronto?

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O que muda para quem liga para o 190

A Apple confirmou a chegada ao Brasil do Emergency SOS Live Video, recurso que permite a atendentes do 190 pedir, durante uma chamada de emergência, que o usuário do iPhone compartilhe a câmera ao vivo. Na prática: se o atendente julgar que a imagem ajuda a entender a cena, ele envia uma solicitação ao aparelho de quem ligou. Um aviso aparece na tela, e a pessoa decide, com um toque, se compartilha ou não. É o cidadão quem segura a decisão — não é ativado à distância sem aviso, e o compartilhamento pode ser interrompido a qualquer momento.

A tecnologia por trás é da RapidSOS, empresa americana que já fornece dados de localização e contexto a centrais de emergência em diversos países. No Brasil, o recurso é entregue pela plataforma RapidSOS UNITE, sem custo adicional para os centros de emergência que já usam os módulos principais dessa plataforma — ou seja, quem já tinha a base tecnológica ganha a função de graça; quem não tinha, fica de fora até integrar.

Foto: reprodução/9to5mac.com

Quem está de fora?

Aqui mora a pergunta que interessa a quem paga imposto: quais estados e centrais de 190 já estão, de fato, prontos para receber esse vídeo? Nem a Apple, nem a RapidSOS, nem a cobertura internacional do lançamento detalharam uma lista de secretarias de segurança ou centrais integradas — a comunicação fala genericamente em centros de comunicações de emergência em todo o Brasil. Sem uma lista pública de quais estados aderiram, fica difícil para o cidadão de Manaus ou de Palmas saber se, ao discar 190, vai encontrar um atendente capaz de pedir o vídeo — ou um sistema que sequer reconhece a função.

O recurso também tem barreira de aparelho: só funciona em iPhone 14 ou modelos mais recentes, o que exclui de imediato quem tem aparelhos mais antigos ou usa Android — para esses, a ligação de emergência segue como sempre foi.

Criptografia sim, mas quem audita o acesso?

A Apple e a RapidSOS afirmam que a transmissão é criptografada por padrão e que o acesso ao vídeo dentro da central é controlado por função, ou seja, nem todo atendente teria a mesma permissão de solicitar ou visualizar a imagem. É uma resposta razoável à pergunta óbvia — quem vê o que eu mostrar pela câmera? —, mas as empresas não detalharam publicamente qual órgão fiscaliza esse controle de acesso no lado brasileiro, nem por quanto tempo o vídeo compartilhado fica retido nos servidores das centrais.

O caso não é o primeiro uso do RapidSOS no país: a tecnologia já ajuda a repassar dados de localização a centrais de emergência antes mesmo desse recurso de vídeo. Nos Estados Unidos, o mesmo sistema de vídeo ao vivo estreou com o iOS 18, em setembro de 2024. Passados quase dois anos, chega ao Brasil — mas sem o mapa de quais das centenas de centrais de 190 do país já sabem usá-lo.

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