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Ciência24 de ago. de 2026, 19:21

20 anos depois, relembre a votação que rebaixou Plutão a planeta anão

Completam-se 20 anos da assembleia da União Astronômica Internacional em Praga que redefiniu o que é um planeta e tirou Plutão do time dos oito principais do Sistema Solar.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: Plutão é tão pequeno que caberia, com folga, dentro dos Estados Unidos — seu diâmetro é menor que a distância entre Nova York e Los Angeles ida e volta. Foi esse tamanho modesto, combinado a uma vizinhança orbital cheia de outros corpos parecidos, que tirou o posto de nono planeta do Sistema Solar há exatamente 20 anos.

O que é confirmado

Foto: reprodução/sciencenews.org

Em 24 de agosto de 2006, durante a Assembleia Geral da União Astronômica Internacional (IAU) em Praga, na República Tcheca, astrônomos presentes aprovaram uma nova definição formal de "planeta". Pelos critérios adotados, um planeta precisa: orbitar o Sol, ter massa suficiente para assumir formato praticamente esférico e ter "limpado a vizinhança" ao redor de sua órbita, dominando-a gravitacionalmente. Plutão cumpre os dois primeiros critérios, mas falha no terceiro — no chamado Cinturão de Kuiper, região externa do Sistema Solar, há outros objetos de tamanho comparável, como Éris, dividindo espaço orbital com ele. Por isso, Plutão foi reclassificado como "planeta anão", categoria que passou a ser o protótipo dos chamados objetos transnetunianos.

A decisão veio ao fim de uma semana de debates intensos entre os cerca de 2.500 astronomistas de 75 países presentes ao encontro, depois que propostas anteriores — inclusive uma que manteria Plutão como planeta e ainda promoveria o asteroide Ceres e a lua Caronte, de Plutão, à categoria — foram descartadas. A votação final não teve participação de todos os cerca de 10 mil astrônomos profissionais do mundo: apenas uma fração dos presentes ao evento votou naquele momento.

Foto: reprodução/pressdemocrat.com

O que ainda divide opiniões

Aqui a linha entre fato e debate científico é clara: a decisão nunca foi unânime. Catherine Cesarsky, então presidente da IAU, defendeu a votação como acerto científico, assim como o astrônomo Mike Brown, do Caltech — cujas descobertas de outros corpos no Cinturão de Kuiper ajudaram a motivar a revisão —, que resumiu o entendimento dizendo que "Plutão estava errado o tempo todo" enquanto classificado como planeta. Do outro lado, pesquisadores como Jim Bell e Philip Metzger continuam contestando a definição adotada em 2006, argumentando que o critério de "limpar a vizinhança orbital" é impreciso e deixaria de fora, por exemplo, a própria Terra sob certas leituras — um debate que segue aberto duas décadas depois.

Por que ainda importa

O episódio não foi só uma reclassificação simbólica: redefiniu como astrônomos categorizam corpos do Sistema Solar até hoje e virou um dos raros casos em que uma decisão científica tomada em assembleia gerou repercussão popular duradoura, mantendo Plutão no centro de debates de astronomia mesmo 20 anos depois.

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