
26 cidades e estados dos EUA processam Trump por afrouxar consumo de combustível
Uma coalizão com Nova York, Chicago, Los Angeles e San Francisco entrou na Justiça contra a flexibilização das metas de eficiência de combustível de veículos, alegando mais poluição e gasto maior no bolso do motorista.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Quando a cidade processa o governo federal por causa do seu carro
Um grupo de 26 jurisdições dos Estados Unidos — 21 estados, o Distrito de Columbia e as cidades de Chicago, Nova York, San Francisco e Denver (estas duas últimas também representando seus condados) — entrou na Justiça contra a administração Trump por flexibilizar as regras de eficiência de combustível dos veículos vendidos no país. A ação foi apresentada na Corte de Apelações do Primeiro Circuito dos EUA em 5 de outubro de 2026, segundo o Smart Cities Dive.
O alvo é a chamada Safer Affordable Fuel-Efficient Vehicles Rule III (SAFE III), do Departamento de Transportes dos EUA (via NHTSA). A regra da era Biden previa uma frota média de cerca de 50 mpg (milhas por galão) até 2031; a nova versão do governo Trump reduz essa meta para 34,9 mpg em 2031, partindo de uma base de 30,1 mpg em 2024 — ou seja, quase estagnando o ganho de eficiência que estava programado.
"Ruim para o ambiente e um inferno para o bolso"
Os municípios autores da ação argumentam que a regra mais fraca eleva os custos do consumidor no posto de gasolina, aumenta a poluição do ar e das refinarias, e pesa justamente num momento de alta nos preços da gasolina. Em nota, a cidade de Denver chamou a nova regra de algo "ruim para o meio ambiente e um inferno para a nossa carteira". Chicago afirmou estar "erguendo uma bandeira sobre décadas de evidência científica" ao entrar com a ação. Já Nova Jersey lembrou que os padrões anteriores, mais rígidos, "reduziam os custos ao consumidor ao melhorar a eficiência de combustível dos veículos".
A coalizão, liderada pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, alega que a norma da NHTSA é arbitrária e viola tanto a Lei de Procedimento Administrativo (equivalente a um devido processo regulatório) quanto a Lei de Política Energética e Conservação, que obrigaria o órgão a fixar padrões no nível "máximo viável" tecnicamente.
Por que isso ecoa nas cidades brasileiras
O caso levanta uma pergunta que também vale por aqui: quem garante que normas de eficiência e poluição veicular não sejam afrouxadas sob pressão econômica? Cidades brasileiras que monitoram qualidade do ar e metas de frota — caso de São Paulo, com seu programa de eletrificação de ônibus — acompanham de perto decisões como essa nos EUA, já que fabricantes de veículos operam em escala global e normas mais fracas lá tendem a influenciar o que chega aqui.