
3 conversões de escritório em moradia que mostram o boom em Washington
Washington DC lidera nos EUA, atrás só de Nova York, em unidades residenciais criadas a partir de escritórios vazios. Três projetos ilustram o movimento — e a aposta de que localização é o fator que decide se a conta fecha.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O boom da conversão em Washington
Washington DC se tornou a segunda cidade dos Estados Unidos em conversões de escritório para uso residencial, com 8.479 unidades em andamento — atrás apenas de Nova York, que lidera com 16.358 unidades, segundo a Smart Cities Dive. A tendência nacional de conversões cresceu 28% ao longo de 2026, impulsionada por prédios corporativos esvaziados no pós-pandemia e por programas municipais de incentivo fiscal.
Para Peter Epstein, da National Real Estate Development — incorporadora responsável por um dos projetos em destaque —, o sucesso de uma conversão depende dos "fundamentos sólidos": sobretudo uma boa localização, perto de transporte e empregos. Três exemplos recentes ilustram como isso funciona na prática.
Foto: reprodução/smartcitiesdive.com
Aviator House, em Dupont Circle
O primeiro projeto aprovado pelo programa Housing in Downtown (HID) da prefeitura de DC já está de portas abertas. A National Real Estate Development transformou um edifício de 1972 — antiga sede da associação de pilotos Air Line Pilots Association, que estava com cerca de 50% de ocupação após a pandemia — em 157 apartamentos, incluindo unidades acessíveis. O prédio tem certificação LEED Gold, sistemas totalmente elétricos e teve a obra iniciada em outubro de 2024.
The Geneva, no Kalorama
Foto: reprodução/rebusinessonline.com
É a maior conversão já feita na capital americana. A incorporadora Post Brothers vai transformar dois edifícios de meados do século 20 em 532 unidades no bairro histórico de Kalorama. O projeto, com groundbreaking previsto para janeiro de 2026, soma US$ 575 milhões em financiamento, incluindo US$ 465 milhões via C-PACE (Nuveen Green Capital) — a maior operação desse tipo já registrada — e US$ 110 milhões em empréstimo sênior da Mavik Capital Management.
1255 23rd Street NW, no West End
Uma joint venture entre Jemal Real Estate Strategies e DivcoWest vai converter um edifício de escritórios de 1982 em 323 apartamentos, com cerca de 36 unidades acessíveis. O financiamento de US$ 40 milhões veio da Madison Realty Capital, e o varejo do térreo será mantido.
E no Brasil?
Capitais brasileiras com estoque alto de lajes corporativas vazias — caso de São Paulo, que já discute incentivos para conversão — podem observar o modelo de Washington com ressalvas: lá, há um programa municipal específico (o HID) com renúncia fiscal de 20 anos, e o financiamento combina bancos, fundos verdes e incorporadoras privadas. Fica a pergunta que ainda falta responder por aqui: quem vai subsidiar a conta e fiscalizar se as unidades acessíveis realmente saem do papel?