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Mercado30 de set. de 2026, 01:35

5 apps que bombam no Brasil, mas quase ninguém usa lá fora

De um app chinês de vídeos curtos a uma rede social de corrida americana, o Brasil virou o mercado mais importante — ou um dos mais importantes — para aplicativos que passam batido no resto do mundo.

Por Marcos Silva · Repórter de plantão

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O Brasil que sustenta apps que o mundo esqueceu

Tem aplicativo que virou rotina para o brasileiro e continua irrelevante lá fora. Um levantamento do Canaltech reuniu cinco exemplos de apps que são sucesso de público no Brasil, mas não emplacaram — ou nem tentaram emplacar — em escala global.

Kwai lidera o ranking de dependência do Brasil

O Kwai, plataforma chinesa de vídeos curtos concorrente do TikTok, é o caso mais extremo. Em agosto de 2026, 66,18% de todo o tráfego do site kwai.com veio do Brasil, segundo estimativas da Semrush. Os Estados Unidos aparecem muito atrás, com 7,2%, seguidos pela Indonésia, com 5,97%. Na prática, o Brasil não é só um mercado importante para o Kwai — é o mercado.

99 e iFood: filhos daqui que ficaram por aqui

A 99, aplicativo de mobilidade nascido no Brasil em 2012, soma 60 milhões de usuários ativos e 2,5 milhões de motoristas parceiros no país. Depois de ser comprada pela chinesa DiDi, gigante de transporte por aplicativo que domina o mercado chinês, a empresa manteve a marca 99 por aqui, mas opera com identidade própria na China. Já o iFood, plataforma de delivery também brasileira, processa mais de 180 milhões de pedidos por mês — e encerrou operações na Colômbia em 2022 para concentrar esforços no mercado doméstico.

BlaBlaCar e Strava: o Brasil virou fatia grande demais para ignorar

Nem todo app da lista nasceu aqui. O BlaBlaCar, plataforma francesa de caronas compartilhadas entre motoristas e passageiros, teve mais de 25 milhões de usuários brasileiros em 2025 — o equivalente a um em cada seis passageiros da base global da empresa. A rede social de atletas Strava, criada nos Estados Unidos, tinha 195 milhões de usuários no mundo em fevereiro de 2026, e o Brasil já é seu segundo maior mercado, com 21 milhões de usuários registrados em março de 2025.

Por que isso importa

O padrão que aparece nos cinco casos é parecido: seja por barreira de idioma, seja por concorrência local mais barata ou por decisão estratégica das próprias empresas, o Brasil concentra uma fatia desproporcional de usuários de apps que, fora daqui, seguem nichados ou pouco conhecidos. Para essas empresas, o mercado brasileiro deixou de ser expansão e virou sustentação do negócio.

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