
53% dos brasileiros dizem ter apps demais no celular, aponta pesquisa
Levantamento da Consumoteca encomendado pela 99 mostra que mais da metade dos usuários se sente sobrecarregada por aplicativos, e a maioria já desistiu de uma tarefa por precisar baixar outro app.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que resume o cansaço
53% dos entrevistados por uma pesquisa da Consumoteca — organização brasileira de defesa do consumidor que estuda comportamento digital — afirmam sentir que já têm aplicativos demais instalados no celular. O levantamento foi encomendado pela 99 e apresentado em 15 de outubro de 2026, durante o 99Tech Summit, no Rio de Janeiro.
Tarefas interrompidas
Foto: reprodução/mundoconectado.com.br
O incômodo não fica só na sensação de excesso. 74% dos participantes já desistiram de alguma atividade online porque seria necessário baixar outro aplicativo para concluí-la. Na limpeza do celular, 74% também afirmam excluir apps com frequência, e 60% dizem usar apenas um terço do que têm instalado.
Quem ganha com isso
O cenário favorece empresas de superapps, como a própria 99, patrocinadora do estudo. Segundo a pesquisa, 70% dos brasileiros preferem ter poucos aplicativos capazes de resolver diferentes necessidades, embora apenas 20% dos consumidores conheçam o termo "super app" — mesmo assim, 66% demonstram interesse em usar plataformas que concentrem vários serviços em um só lugar.
O "trabalho invisível" dos apps
O antropólogo Michel Alcoforado, da Consumoteca, batizou esse desgaste de "trabalho invisível": o tempo gasto instalando, cadastrando, recuperando senhas e resolvendo conflitos de armazenamento acaba anulando a conveniência que o aplicativo prometia entregar.
Metodologia
O estudo ouviu 2.000 pessoas on-line, com 1.982 respostas válidas após ponderação, entre maiores de 18 anos, donos de smartphone e usuários regulares de aplicativos. A etapa qualitativa reuniu quatro grupos focais on-line, com mais de 20 participantes.
O que vem a seguir
Com a maioria dos brasileiros sinalizando preferência por concentração de serviços, a disputa por espaço na tela inicial do celular deve se intensificar entre superapps e aplicativos especializados nos próximos meses.