
6 estúdios de games que quase morreram e voltaram com tudo
De Platinum Games a Capcom, conheça seis casos de estúdios que viveram crises graves, de cancelamentos a escândalos, e conseguiram reverter o jogo com lançamentos aclamados. A comunidade teve papel importante nisso.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Se você acompanha games há um tempo, já deve ter visto aquela sensação de "acabou, esse estúdio não se recupera mais". E olha, às vezes a gente quase acerta. Mas a indústria é cheia de voltas inesperadas, e separei seis casos de estúdios que passaram por momentos bem feios e, de um jeito ou de outro, conseguiram virar o jogo.
Platinum Games, dos cancelamentos ao respeito recuperado
A Platinum Games (estúdio japonês fundado por ex-desenvolvedores da Capcom, conhecido por jogos de ação estilizados) viveu uma sequência de tombos: Star Fox Zero e Teenage Mutant Ninja Turtles: Mutants in Manhattan não convenceram, e o golpe mais duro veio em 2017, com o cancelamento de Scalebound. A virada começou com NieR: Automata, parceria com a Square Enix que reconquistou a crítica e o público, e seguiu com Bayonetta 3, além dos anunciados Ninja Gaiden 4 e Teenage Mutant Ninja Turtles: The Last Ronin.
Foto: reprodução/gameblast.com.br
Remedy Entertainment, do desconto ao estrelato
A Remedy Entertainment (estúdio finlandês famoso por narrativas cinematográficas) teve Alan Wake sem o retorno comercial esperado e um Quantum Break que dividiu opiniões. O resgate veio com Control, em 2019, que recolocou o estúdio no radar do grande público, embalado depois por Alan Wake 2 e pelo anunciado Control Resonant.
Blizzard, da crise de imagem ao retorno de Diablo
Aqui o tombo não foi só criativo: a Blizzard enfrentou acusações pesadas de práticas trabalhistas abusivas e assédio sexual, além do fracasso de recepção de Overwatch 2 e anos de hiato entre lançamentos grandes. A combinação de reputação arranhada com entrega atrasada é o tipo de coisa que a comunidade não esquece fácil. Ainda assim, Diablo IV, em 2023, trouxe fôlego novo, somado à reformulação do Overwatch e aos anúncios de Diablo V e de um novo FPS no universo StarCraft.
CD Projekt RED corrigiu o próprio erro
A CD Projekt RED (estúdio polonês, criador da série The Witcher) sabe bem o que é decepcionar quem comprou o jogo esperando outra coisa: o lançamento de Cyberpunk 2077 veio com conteúdo cortado, problemas gráficos e bugs à vontade. Em vez de abandonar o barco, o estúdio investiu em correções contínuas, apostou no anime Cyberpunk: Edgerunners e entregou a expansão Phantom Liberty, bem recebida pela crítica. Hoje o estúdio já trabalha no anunciado The Witcher 4.
Konami e o retorno das franquias esquecidas
Depois da saída conturbada de Hideo Kojima e de um período em que apostou pesado em mobile e pachinko, a Konami deixou franquias queridas como Silent Hill, Metal Gear e Castlevania praticamente paradas. A partir de 2022, a empresa voltou a investir nessas séries com novos lançamentos regulares, num movimento visto por muita gente como reconquista de confiança.
Capcom reconstruiu a casa com remakes
A Capcom teve uma fase de saída de desenvolvedores importantes, microtransações criticadas e tropeços como Asura's Wrath, Street Fighter V e Resident Evil: Operation Raccoon City. A reviravolta começou com Resident Evil 7: Biohazard, em 2017, e seguiu com remakes elogiados e apostas como Monster Hunter e Kunitsu-Gami.
No fim das contas, o que esses seis casos têm em comum é escutar a crítica (e a comunidade) depois do tombo, em vez de insistir no erro.