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Mercado08 de set. de 2026, 10:27

7 carros à venda no Brasil zeram em testes do Latin NCAP

Levantamento aponta sete modelos ainda comercializados no país que receberam nota zero em testes de colisão do Latin NCAP. Entre os motivos estão falta de airbags, baixa rigidez estrutural e ausência de sistemas de assistência.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Sete modelos, nenhuma estrela

Sete carros à venda no Brasil receberam nota zero em testes de colisão do Latin NCAP, organização independente responsável por avaliar a segurança de veículos comercializados na América Latina. A lista inclui o Citroën C3 (2023), o Fiat Argo (2021), o Fiat Cronos (2021), o Ford Ka (2020), o Ford Ka+ (2020), o JAC E-JS1 (2022) e o Kia Sportage de quarta geração (2021). Todos seguem disponíveis para compra no mercado nacional, segundo levantamento do Canaltech.

O resultado é o pior possível dentro da metodologia do Latin NCAP, que mede a proteção oferecida a ocupantes adultos, crianças e pedestres, além da presença de tecnologias de retenção e assistência ao motorista. Nos sete casos, os fatores que derrubaram a pontuação se repetem: falta de airbags suficientes, baixa rigidez estrutural da carroceria e ausência de sistemas de assistência à condução, itens que já são obrigatórios ou recomendados em mercados mais exigentes.

Foto: reprodução/automaistv.com.br

O que isso significa para quem compra carro no Brasil

Para o consumidor, a nota zero é um alerta direto: modelos populares, incluindo sedãs e hatches de entrada como Argo, Cronos e Ka, ainda circulam sem o mesmo padrão de proteção oferecido em outros mercados pelas mesmas marcas. O problema não é exclusivo de veículos de baixo custo — a presença do Kia Sportage, um SUV de porte médio, mostra que a fragilidade estrutural atravessa faixas de preço distintas.

O problema tende a ganhar mais peso a partir de agora. O Latin NCAP passa a aplicar, entre 2026 e 2029, um protocolo de testes mais rigoroso, com impactos laterais a velocidades maiores, avaliação de resistência do teto em capotamentos de SUVs e maior peso para itens como frenagem automática de emergência e detecção de ponto cego. Na prática, carros que hoje têm nota baixa — ou zero — dificilmente melhorarão de posição sem redesenho estrutural e investimento em eletrônica embarcada.

Responsabilidade das montadoras

A permanência desses modelos no catálogo brasileiro, muitas vezes em versões básicas mantidas por anos sem atualização de segurança, expõe uma prática recorrente da indústria automotiva no país: vender no Brasil configurações mais simples do que as oferecidas em outros mercados pela mesma marca. Fiat, Ford, Citroën, JAC e Kia mantêm esses modelos à venda mesmo após o resultado zero do Latin NCAP, e cabe a cada fabricante decidir se atualiza os projetos ou os retira de linha diante do novo protocolo que entra em vigor no país.

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