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Ciência08 de ago. de 2026, 01:48

A corrida científica para criar vacinas em 100 dias contra a próxima pandemia

Coalizão liderada pela CEPI quer reduzir para 100 dias o tempo entre a identificação de um novo patógeno e a disponibilização de vacinas, usando plataformas de mRNA, inteligência artificial e vigilância genômica mais rápida.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

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Da covid-19 aos 100 dias

Quando o SARS-CoV-2 foi sequenciado, em janeiro de 2020, o mundo levou 326 dias até o início da vacinação em massa — um recorde histórico para o desenvolvimento de imunizantes, mas ainda tempo suficiente para que a covid-19 se espalhasse globalmente e causasse milhões de mortes. É esse intervalo que a chamada "Missão dos 100 Dias" (100 Days Mission) quer encolher drasticamente, propondo que, na próxima pandemia, vacinas seguras e eficazes estejam disponíveis em apenas 100 dias após a identificação da ameaça.

Quem lidera a iniciativa

Foto: reprodução/medicinasa.com.br

A missão é conduzida pela CEPI (Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias), organização com sede na Noruega criada em 2016 para acelerar o desenvolvimento de vacinas contra doenças infecciosas emergentes. A meta dos 100 dias foi lançada formalmente em 2021, com respaldo de líderes do G7 e do G20, e reúne governos, farmacêuticas e institutos de saúde — incluindo a Fiocruz, no Brasil. Segundo o CEO da CEPI, Richard Hatchett, o recorde de 326 dias na covid-19 só foi possível porque vírus da mesma família, como os causadores de SARS e MERS, já vinham sendo estudados havia anos.

Como a estratégia funciona

A CEPI estrutura a missão em três frentes: avançar vacinas contra ameaças virais já conhecidas e emergentes, fortalecer tecnologias de plataforma prontas para uso rápido e montar redes globais capazes de responder de forma ágil e equitativa a um novo surto. Na prática, isso significa investir hoje em plataformas já validadas clinicamente — sobretudo as de mRNA, que permitem trocar o alvo genético de uma vacina em poucos dias sem redesenhar todo o processo produtivo — além de reforçar diagnóstico e vigilância genômica para identificar patógenos mais rapidamente.

Parcerias e tecnologias em curso

A CEPI firmou parcerias estratégicas com a Moderna, para usar sua plataforma de resposta rápida em mRNA testada durante a covid-19, e com a BioNTech, com investimento de até US$ 90 milhões no desenvolvimento de uma vacina de mRNA contra mpox. Também apoia projetos que usam inteligência artificial para analisar códigos genéticos de patógenos e criar bibliotecas de vacinas-protótipo para mais de 270 espécies virais distribuídas em 25 famílias com potencial de infectar humanos.

O desafio real

A meta já é testada por surtos em curso, como o do hantavírus Andes, que atingiu pessoas de mais de 20 países a partir de um navio de cruzeiro, e o de Ebola Bundibugyo na República Democrática do Congo. Um estudo do Imperial College estimou que 8,3 milhões de mortes por covid-19 poderiam ter sido evitadas caso vacinas estivessem disponíveis já em abril de 2020 — número que ilustra por que a CEPI trata a meta dos 100 dias como prioridade.

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