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CiênciaMercado09 de set. de 2026, 23:27

A francesa que pode ser a resposta europeia à SpaceX

A The Exploration Company, empresa espacial francesa, levantou US$ 450 milhões na maior rodada Série C já feita por uma companhia espacial europeia. O aporte é usado para desenvolver uma cápsula reutilizável e um motor de foguete inédito no continente.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: US$ 450 milhões é o tipo de cheque que, até pouco tempo atrás, praticamente só existia no mercado espacial americano. Agora ele foi assinado para uma empresa francesa — e o valor é descrito como a maior rodada Série C já fechada por uma companhia espacial europeia.

O que está confirmado

A rodada foi levantada pela The Exploration Company (TEC), startup francesa sediada em Paris fundada e comandada por Hélène Huby, ex-executiva com passagens por Airbus e ArianeGroup — a fabricante europeia de foguetes por trás do programa Ariane. O aporte, do tipo Série C, foi liderado por Bessemer Venture Partners, Atomico e o fundo Scaleup Europe (gerido pela EQT), com a soma total captada pela empresa desde 2021 chegando a cerca de US$ 680 milhões, segundo o TechCrunch e o site especializado VoxelMatters.

O dinheiro tem dois destinos principais. O primeiro é a Nyx, uma cápsula reutilizável para transporte de carga a estações espaciais — com plano de, no futuro, também levar tripulantes. A empresa já tem 10 missões da Nyx contratadas, somando mais de US$ 2 bilhões em contratos com clientes públicos e privados, incluindo a Agência Espacial Europeia (ESA). O segundo destino é o Storm, motor de foguete que a TEC chama de "primeiro motor reutilizável de alto empuxo da Europa", usando o ciclo de combustão em estágios de fluxo total (full-flow staged combustion) — tecnologia associada ao Raptor, da SpaceX, e que nenhuma empresa europeia havia desenvolvido antes.

O que é hipótese (ou aposta de futuro)

A Nyx tem como meta atracar na Estação Espacial Internacional (ISS) e retornar à Terra em uma missão-demonstração até 2028 — uma data-alvo, não um fato consumado. O Storm, por sua vez, é peça-chave de um foguete pesado de próxima geração que a Europa ainda não tem pronto: o continente segue dependente do Ariane 6, operado pela Arianespace, que voa em ritmo bem mais lento que o Falcon 9 da SpaceX e enfrenta pressão de custo — um lançamento do Ariane 62 em novembro de 2025 custou à ESA cerca de US$ 96 milhões, 25% acima do previsto originalmente.

Por que isso importa

A SpaceX detém hoje a maior fatia do mercado global de lançamentos comerciais, e a dependência europeia de acesso autônomo ao espaço virou prioridade estratégica desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. Nesse cenário, a aposta em Huby e na TEC é vista por investidores como sinal de que a Europa pode, enfim, ter um empreendedor espacial capaz de jogar no mesmo campo de Elon Musk — ainda que os resultados técnicos decisivos, como o primeiro voo do Storm e o retorno seguro da Nyx, estejam todos no futuro.

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