
A mentira de US$ 9 bilhões: o caso Theranos volta à tona em novo filme
A Theranos, startup que prometia fazer dezenas de exames com uma gota de sangue, chegou a valer US$ 9 bilhões antes de ser exposta como fraude — história que ganha novo documentário da A24.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 9 bilhões construídos sobre uma mentira
A Theranos, startup de diagnóstico de saúde fundada por Elizabeth Holmes em 2003, chegou a valer US$ 9 bilhões no auge, depois de captar mais de US$ 700 milhões em investimentos — incluindo recursos de nomes como Rupert Murdoch e a família Walton, fundadora do Walmart. A promessa era revolucionária: realizar dezenas de exames de sangue a partir de uma única gota coletada na ponta do dedo, usando um dispositivo proprietário chamado Edison.
A investigação que derrubou o castelo de cartas
Foto: reprodução/exame.com
O problema é que a tecnologia simplesmente não funcionava como anunciado. Em 2015, o jornalista John Carreyrou, do Wall Street Journal, revelou que a Theranos usava equipamentos convencionais de outros fabricantes para processar as amostras, e não o dispositivo próprio que sustentava toda a narrativa da empresa perante investidores e parceiros. Os resultados eram, segundo a investigação, imprecisos e potencialmente perigosos para pacientes que tomavam decisões médicas com base neles. A empresa foi à falência em 2018.
A sentença e o símbolo de uma era de excesso
Elizabeth Holmes foi julgada culpada em 2022 por quatro das 11 acusações de fraude e conspiração contra investidores, e sentenciada a 11 anos e três meses de prisão, começando a cumprir pena em 2023. O caso se tornou o exemplo mais citado de falha sistêmica de due diligence no Vale do Silício: investidores de alto perfil, membros de conselho influentes e grande imprensa validaram por anos uma tecnologia que nunca foi auditada de forma independente antes de receber os cheques.
De volta aos holofotes com selo A24
A história ganha agora um novo documentário, "You Can See Everything", produzido pela A24, distribuidora e produtora independente conhecida por filmes premiados, e dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim. O lançamento nos EUA está previsto para 16 de outubro de 2026; ainda não há data oficial de estreia no Brasil.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha é o público, que relembra um caso-escola sobre os riscos de hype tecnológico sem verificação. Quem perde, mais uma vez, é a reputação do ecossistema de venture capital que permitiu a fraude crescer por mais de uma década — e serve de alerta para o atual ciclo de bilhões investidos em startups de inteligência artificial sem igual nível de escrutínio.