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IA06 de set. de 2026, 12:41

A urgência de formar jovens brasileiros fluentes em inglês na era da IA

Com o Brasil na 75ª posição em proficiência em inglês, especialistas alertam que a falta de fluência limita o acesso a empregos justamente quando o mercado de agentes de IA — que operam majoritariamente no idioma — mais cresce no país.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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A régua que ninguém quer medir

Imagine contratar um tradutor talentosíssimo que só entende metade do que você fala. É mais ou menos o que ocorre com uma geração de jovens brasileiros diante dos agentes de inteligência artificial: ferramentas cada vez mais capazes, operando majoritariamente em inglês, enquanto boa parte do público que poderia se beneficiar delas fica de fora da conversa.

O alerta vem de Eduardo Santos, vice-presidente sênior da EF (Education First, rede internacional de ensino de idiomas responsável pelo Índice de Proficiência em Inglês) e presidente do conselho do MOVER (coalizão de empresas brasileiras voltada à equidade racial no mercado de trabalho). Para ele, a falta de proficiência em inglês "limita o acesso a empregos, restringe a participação em cadeias globais" — e o modelo tradicional de ensino "não prepara os estudantes para situações reais".

Foto: reprodução/computerweekly.com

O boletim que o Brasil não quer levar para casa

Os números dão sustância ao argumento. Pelo Índice de Proficiência em Inglês (EPI) 2025 da própria EF, o Brasil aparece na 75ª posição entre 123 países, em nível considerado baixo — como estar de recuperação numa matéria que o mundo trata como pré-requisito.

Vale o adendo de bom pesquisador: a edição de 2024 do mesmo índice já colocava o país mal posicionado, na 81ª posição entre 113 nações, com pontuação de 466 — atrás de vizinhos como Argentina, Uruguai e Bolívia. Os critérios mudam de ano para ano, então as posições não são diretamente comparáveis, mas a foto se repete: o Brasil na metade inferior da tabela.

Do lado da adoção, um contraponto

Nem tudo é lamento. A reportagem original destaca que mais de 4 milhões de alunos da rede pública já usam soluções de IA para aprender idiomas — sinal de que a tecnologia pode ser parte da solução. É como dar um dicionário que se adapta ao ritmo de cada aluno, em vez de um livro único para a turma inteira.

Esse movimento ganha urgência num mercado acelerado. Levantamentos setoriais mostram que as vagas brasileiras que exigem competências em IA saltaram de 63,3 mil em 2024 para 182,3 mil em 2025 — alta de 188% em um ano, elevando a fatia dessas vagas no total de anúncios de emprego de 1,1% para 3,6%. E 2026 desponta como o ano de consolidação dos agentes de IA: sistemas que não só respondem a comandos, mas planejam e executam tarefas sozinhos.

Os dois lados da régua

Há quem argumente que a própria IA vai encurtar essa distância, com tradução simultânea cada vez melhor tornando o inglês menos decisivo. É um ponto justo. Mas, por ora, os agentes mais avançados ainda "pensam" e documentam majoritariamente em inglês, e cadeias globais de valor seguem operando no mesmo idioma. Enquanto isso não muda, formar jovens fluentes deixa de ser luxo cultural e vira, como sugere a fonte, pré-requisito de empregabilidade.

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