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Mercado21 de ago. de 2026, 14:23

a16z: 44% dos aportes em apps de IA vão a fundadores estrangeiros

Rede 'Borderless Founder', da a16z, aposta que ter um pé no país de origem e outro no Vale do Silício virou vantagem competitiva na era da IA — e cita até um brasileiro entre os casos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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44% dos cheques da a16z em apps de IA vão a fundadores internacionais

Quase metade — 44% — dos investimentos feitos pelos fundos Apps One e Two da a16z nos últimos dois anos foi para startups com fundadores internacionais, divididos igualmente entre empresas sediadas nos Estados Unidos e fora deles. O número, revelado por Gabriel Vasquez, partner da gestora focado em aplicações de IA e estratégia global, resume a tese por trás da iniciativa "Borderless Founder network": na era da inteligência artificial, nascer fora do Vale do Silício deixou de ser desvantagem.

A vantagem de ter um pé em cada lugar

"Há agora uma vantagem em ter um pé no seu país de origem e outro no Vale do Silício", escreveram Vasquez e Angela Strange, general partner da a16z, ao apresentar o programa. A lógica: fundadores que cresceram fora dos EUA já competiram e venceram em mercados difíceis antes de chegar à Califórnia, e isso é um ativo, não um obstáculo.

A gestora já reuniu mais de 600 fundadores e primeiras contratações em uma série de jantares do programa ao longo de cinco anos — uma rede que, segundo a a16z, funciona como ponte para clientes via diáspora, cobertura de imprensa em mercados de origem e acesso a talento técnico antes que ele vire disputa global. O apoio inclui ainda ajuda com patrocínio de visto, moradia em São Francisco e conexões bancárias para founders sem histórico de crédito nos EUA.

O que mudou: compradores que antes só olhavam, agora pagam

Segundo Vasquez, até poucos anos atrás compradores corporativos fora dos EUA "não se moviam rapidamente, e sua disposição para pagar era muito baixa". Nos últimos três a cinco anos isso mudou: startups de IA fora do eixo americano passaram a fechar contratos com empresas Fortune 500 globalmente, inclusive na Europa, onde companhias tradicionais antes só se engajavam com startups via programas de inovação aberta — raramente como clientes pagantes de fato.

O efeito também chega à América Latina, região onde, na leitura da a16z, "o software nunca realmente se desenvolveu" por concorrer com mão de obra barata. Agora, a pressão da IA para reduzir custos está forçando empresas legadas a comprar soluções de terceiros. É nessa brecha que aparece o caso da brasileira Tako, startup de redução de burocracia (começando pela folha de pagamento) cofundada por Fernando Gadotti — apresentado por Sebastian Mejia, cofundador da colombiana Rappi, dentro da própria rede da a16z.

Quem ganha com essa tese

O caso mais citado do portfólio é a ElevenLabs, startup de voz sintética fundada pelos poloneses Piotr Dąbkowski e Mateusz Staniszewski, que atraiu investimento e clientes como InPost e LOT Polish Airlines na própria Polônia. Para a a16z, o recado ao mercado é direto: quando startups americanas não têm velocidade para atender o mundo todo desde o primeiro dia, sobra espaço para fundadores locais — inclusive brasileiros — venderem IA em casa e, ao mesmo tempo, disputarem talento e capital em Silicon Valley. "O conceito de sede está mudando muito; é bem mais fluido", resume Vasquez.

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