tech & talk
Mercado23 de out. de 2026, 09:34

a16z Crypto vira a16z Frontier e amplia aposta além do blockchain

Depois de movimentar cerca de US$ 10 bilhões em cinco fundos desde 2018, a unidade cripto da Andreessen Horowitz muda de nome para a16z Frontier e passa a mirar também IA, robótica e redes entre humanos e máquinas. O rebranding reflete a perda de protagonismo do blockchain como tese isolada de investimento.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

US$ 10 bilhões em cinco fundos: o histórico por trás da mudança de nome

Cerca de US$ 10 bilhões captados em cinco fundos desde 2018 — esse é o tamanho do legado que a a16z Crypto carrega ao se despedir do próprio nome. A unidade de ativos digitais da Andreessen Horowitz, uma das gestoras de venture capital mais influentes do Vale do Silício, passa a se chamar a16z Frontier, numa mudança que a própria empresa descreve como ampliação de escopo, não abandono da tese cripto.

Por que o blockchain perdeu força sozinho

Foto: reprodução/cryptobriefing.com

O motivo declarado é direto: o investimento em blockchain como categoria isolada perdeu importância relativa dentro do portfólio de tecnologias emergentes que a gestora quer cobrir. Chris Dixon, general partner que comanda a unidade, publicou um post explicando que a tecnologia blockchain continua relevante — e deve se tornar padrão para stablecoins e transações entre máquinas — mas que o momento pede um guarda-chuva maior, incluindo inteligência artificial, robótica e o que o post chama de novos tipos de redes conectando humanos e máquinas.

Fundo de US$ 2,2 bilhões ganha mandato mais largo

Na prática, o fundo mais recente da unidade, de US$ 2,2 bilhões lançado em maio de 2026, passa a mirar um espectro mais amplo de startups de fronteira tecnológica, incluindo apostas combinando IA e cripto e sistemas autônomos. A liderança da nova a16z Frontier reúne Dixon ao lado dos fundadores da gestora, Marc Andreessen e Ben Horowitz, além dos general partners Eddy Lazzarin e Guy Wuollet. Um dos nomes históricos da tese cripto, Ali Yahya — primeiro investidor da estratégia em 2017 — deixou a firma, um sinal adicional de que o ciclo anterior está mesmo se encerrando.

Quem ganha e quem perde

Entre os ex-investimentos de destaque está a Coinbase, maior corretora de criptomoedas dos Estados Unidos, hoje negociada em bolsa — prova de que a aposta original rendeu retorno, mesmo com o mercado cripto mais morno. Quem ganha com o reposicionamento são as startups de IA, robótica e infraestrutura de redes que agora competem por cheques que antes iam só para projetos blockchain. Quem perde são fundadores de projetos cripto puros, que veem um dos fundos mais influentes do setor reduzir o peso relativo dessa tese dentro da própria carteira — ainda que a gestora reforce publicamente que não vai abandonar o segmento nem a defesa de regulação favorável a criptoativos nos EUA.

a16zventure capitalblockchaincriptomoedaschris dixon
Compartilhar