
a16z levanta US$ 42 milhões e cria escola gratuita para driblar faculdade e dropout
A gestora de venture capital Andreessen Horowitz lança a Horowitz Andreessen Academy, programa gratuito de um ano para recém-formados no ensino médio, com apoio de dez gigantes de tecnologia. A aposta é criar um meio-termo entre cursar faculdade e abandonar tudo para empreender.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 42 milhões para reinventar o caminho até o Vale do Silício
A Andreessen Horowitz (a16z), gestora de venture capital que administra mais de US$ 90 bilhões em ativos após levantar US$ 15 bilhões em janeiro, incubou uma startup educacional com US$ 42 milhões captados: a Horowitz Andreessen Academy. O programa abre inscrições para uma turma inaugural de cerca de 50 alunos, com início em setembro de 2027, e é gratuito no primeiro ano.
Nem faculdade, nem largar tudo
O público-alvo é quem terminou o ensino médio mas não entrou na faculdade — uma aposta explícita contra o mito do fundador que abandona os estudos, símbolo consagrado por nomes como os do Vale do Silício. Segundo o fundador Gagan Biyani, que já criou a Udemy e a Maven, a academia propõe um "meio-termo" entre cursar uma faculdade inteira antes de entrar no mercado de tecnologia e largar tudo para abrir uma empresa, como estimula o Peter Thiel Fellowship, programa que paga jovens para não cursar faculdade. A seleção é baseada em "prova de trabalho": o que o candidato já construiu, lançou ou ganhou, não em notas ou redações.
Dez parceiros e acesso a 200 mentores
A lista de apoiadores fundadores reúne dez empresas de peso: Anduril (fabricante de defesa apoiada por venture capital, avaliada em dezenas de bilhões de dólares), Anthropic, Coinbase, Google, Meta, NVIDIA, OpenAI, Palantir (empresa de análise de dados usada por governos e forças armadas), Replit (plataforma de programação colaborativa em nuvem) e Stripe. Juntas, elas devem fornecer acesso a cerca de 200 palestrantes e mentores, além de recrutamento direto. Os alunos da turma gratuita recebem ainda mais de US$ 50 mil em créditos de computação e US$ 5 mil para viagens e pesquisa — mas cuidam da própria moradia.
O que muda a partir de 2028
O modelo atual não confere diploma nem créditos universitários transferíveis. A partir de 2028, a academia planeja buscar aprovação regulatória para um programa de dois anos, quando passará a cobrar mensalidade "similar à de uma universidade privada de elite" — sinal de que o experimento gratuito é isca para validar o formato antes de virar negócio recorrente. No currículo já anunciado, disciplinas técnicas como "Pesquisa e Modelos de IA" dividem espaço com matérias mais filosóficas, como "A Geometria da Sorte".
A iniciativa disputa espaço com formatos consagrados como o acelerador Y Combinator, focado em financiar startups em estágio inicial, mas se diferencia ao mirar talento ainda sem experiência de mercado — uma corrida por captar cérebros jovens antes que cheguem a Stanford ou ao MIT.