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Mercado22 de set. de 2026, 09:55

Acer prevê PCs até 20% mais caros em 2026 antes de aliviar em 2027

O presidente da Acer, Jason Chen, projeta alta de 5% a 20% nos preços de notebooks e PCs até o fim de 2026, com pico em meados de 2027 e possível queda só no segundo semestre. Ele acusa fabricantes de memória de inflar o discurso de escassez para sustentar margens.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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5% a 20% é o tamanho do problema até dezembro

Esse é o intervalo de reajuste que Jason Chen, presidente da Acer — fabricante taiwanesa de notebooks e PCs —, projeta para o restante de 2026. Notebooks e desktops com mais memória RAM ou armazenamento devem sentir o impacto com mais força, segundo declarações do executivo replicadas por veículos internacionais como Tom's Hardware, TechRadar e VideoCardz, além do Tecnoblog no Brasil.

O recado de Chen inverte a leitura otimista que o mercado de hardware queria ouvir: não é que o pior já passou. Na conta dele, os preços devem seguir subindo até atingir um pico por volta de meados de 2027 — só então, e apenas "talvez", como ele mesmo frisou, a curva começa a ceder na segunda metade daquele ano.

Foto: reprodução/techradar.com

Por que o alívio demora tanto

A resposta de Chen para o hiato entre estabilização dos componentes e queda no preço da prateleira é operacional: mesmo que a escassez de memória DDR4 e DDR5 já esteja arrefecendo — como ele reconhece —, a cadeia de produção, transporte e varejo tem meses de atraso embutido. Ou seja, componente mais barato hoje não vira notebook mais barato amanhã.

Quem ganha e quem perde na narrativa

Aqui está o ponto mais espinhoso do discurso do executivo da Acer: ele credita boa parte da pressão de preços a um jogo de expectativas armado pelos próprios fabricantes de memória. Chen afirma ser "impossível" a escassez durar até 2030, como vêm sinalizando Samsung, SK Hynix e Micron, e sugere que esse tipo de declaração pública funciona como um recado indireto entre concorrentes — sem configurar cartel formal — para manter as margens brutas do setor na casa dos 80%. A entrada de capacidade chinesa de produção de memória no radar reforça a tese de Chen de que a oferta tende a folgar antes do que os grandes players de DRAM admitem.

Do outro lado do balcão está o discurso da SK Hynix, cujo CEO mantém a previsão de escassez esticada até 2030 — o que mostra como o mercado de memória segue dividido entre quem fabrica o componente e quem monta o produto final.

O que fica para o consumidor brasileiro

No curto prazo, a mensagem é desconfortável: quem estava esperando promoção para trocar de notebook pode ter de esperar até 2027. Para fabricantes como a própria Acer, a pressão de custo já apertada pela demanda global por chips de IA se soma à incerteza cambial típica do mercado brasileiro, o que tende a amplificar o repasse por aqui.

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