
Agente de IA que viralizou, Instinct capta US$ 1 bilhão e vale US$ 10 bilhões
Um mês depois de uma Série B de US$ 250 milhões, a startup quadruplicou de valor com uma Série C liderada por Sequoia, Benchmark e Coatue, embalada por volume de transações que já passa de US$ 1 bilhão ao ano.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
De US$ 2,5 bilhões para US$ 10 bilhões em um mês
A Instinct, startup americana de agentes de inteligência artificial, fechou uma Série C de US$ 1 bilhão a uma avaliação de US$ 10 bilhões — uma alta de quatro vezes em relação aos US$ 2,5 bilhões que valia há cerca de um mês, quando levantou uma Série B de US$ 250 milhões. É a velocidade de remarcação que chama atenção: poucas startups de IA saltaram de valuation tão rápido quanto essa.
A rodada foi liderada por três gestoras de peso no Vale do Silício — Sequoia Capital, Benchmark Capital e Coatue —, o tipo de sindicato que só se forma quando o crescimento de usuários já provou o produto sozinho.
O que o produto faz e por que viralizou
Instinct não é mais um chatbot que responde perguntas: é um agente pessoal que executa tarefas do início ao fim, usando número de telefone e computador próprios para agir em nome do usuário. Reserva viagens e restaurantes, faz compras, paga contas, cancela assinaturas, conduz pesquisas e até liga por telefone em nome de quem contratou — um recurso "concierge" que resolve o tipo de ligação chata que ninguém quer fazer.
O fundador Noah Shinn credita a virada a um crescimento orgânico raro: a base de usuários diários cresce entre 10% e 11% ao dia, sem gasto nenhum em marketing. O volume anual de transações processadas pela plataforma já ultrapassa US$ 1 bilhão, com viagens respondendo por cerca de metade desse total — prova de que o agente não é usado só para curiosidade, mas movimenta dinheiro de verdade.
Quem ganha e quem observa com atenção
Os investidores que entraram na Série B em agosto saem ganhando com a marcação relâmpago. Já a concorrência tem nome grande: o Muse, agente de IA da Meta com integração profunda a Instagram e Facebook, que já soma milhões de downloads e disputa o mesmo espaço de assistente pessoal automatizado.
A aposta do mercado é que o "agente que faz por você" — e não só responde — é a próxima fronteira de monetização em IA de consumo. Shinn disse que o aporte serve para "levar Instinct para mais pessoas" e afirmou: "é um tempo empolgante e criativo, e estamos apenas começando". Resta saber se o crescimento viral se sustenta sem o boost de marketing pago que, até agora, a empresa nem precisou usar.
Atualização (29/09, 15:45): ## Atualização
O fundador da Instinct, Noah Shinn, revelou novos números sobre o desempenho da plataforma de agentes de IA que levantou US$ 1 bilhão em rodada Series C avaliada em US$ 10 bilhões. Segundo ele, mais de 50% das transações realizadas pela Instinct são relacionadas a viagens, como reservas de hotéis e passagens aéreas — uso que, segundo Shinn, tem se mostrado uma experiência superior à das agências e sites de viagem tradicionais.
Shinn também afirmou que a plataforma vem crescendo 10% ao dia, com o volume de transações aumentando no mesmo ritmo — um avanço obtido, segundo a empresa, sem qualquer investimento em marketing. Com esse ritmo, a startup, que opera por convite e tem apenas 14 funcionários, já se aproxima da marca de US$ 1 bilhão em transações anuais processadas na plataforma.
A Instinct compete no mercado de agentes de IA pessoais com produtos como o Muse, da Meta, e segue atraindo atenção de investidores como Sequoia Capital, Benchmark Capital e Coatue, que participaram da rodada bilionária da companhia.