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Smart Cities28 de set. de 2026, 11:35

Além do Brasil: quais países também votam por meio eletrônico

Segundo o International IDEA, 34 países adotam algum tipo de votação eletrônica em eleições nacionais ou locais. A pergunta que fica para quem vota: quem fiscaliza essas urnas e quanto isso custa?

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quando o brasileiro aperta os números na urna eletrônica e ouve o "bipe" de confirmação, poucos param para pensar que essa cena se repete, com variações, em outras dezenas de países. Segundo o Instituto Internacional para Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA) — organização internacional que monitora e compara processos eleitorais em diferentes países —, 34 países adotam algum tipo de votação eletrônica em eleições nacionais ou subnacionais.

A informação está no levantamento reproduzido pelo Canaltech, que detalha os diferentes formatos de tecnologia eleitoral usados mundo afora. E aqui já vale a primeira pergunta de cidadã: "algum tipo de votação eletrônica" não significa a mesma máquina em todo lugar. Existem pelo menos quatro modelos distintos.

As máquinas parecidas com a nossa

O modelo mais próximo da urna brasileira é o DRE (Direct Recording Electronic), usado por 17 países ou territórios, incluindo o próprio Brasil, além de Albânia, Bangladesh, Butão, Bulgária, Fiji, França, Índia, Irã, México, Namíbia, Omã, Panamá, Peru, Rússia, Venezuela e alguns estados dos Estados Unidos.

A diferença que separa o Brasil de boa parte desses países está na fiscalização: segundo o Canaltech, Albânia, Bulgária, Fiji, Índia, Irã, México, Omã, Panamá, Peru, Rússia e Venezuela usam DRE com VVPAT — um registro impresso que permite ao eleitor confirmar o voto em papel. A urna brasileira, batizada de "Trusted-DRE" e desenvolvida pela própria Justiça Eleitoral, não conta com esse comprovante em papel.

Papel escaneado, impressoras e voto pela internet

Há também outros três caminhos tecnológicos. O sistema OMR/OCR, que faz a leitura óptica de cédulas de papel preenchidas pelo eleitor, é usado por 8 países: Canadá, República Dominicana, Iraque, Quirguistão, Mongólia, Filipinas, Rússia e Estados Unidos.

Já as impressoras eletrônicas de cédula (EBP) aparecem em 4 países — Argentina, Bélgica, República Democrática do Congo e Fiji —, gerando uma cédula impressa a partir de uma escolha feita em tela.

Por fim, o voto pela internet, ainda o modelo mais restrito e debatido, está presente em 14 países: Armênia, Austrália, Canadá, Estônia, França, México, Nova Zelândia, Omã, Panamá, Paquistão, Rússia, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos e Equador.

Quem fiscaliza, e a que custo?

A comparação levanta questões que interessam a qualquer eleitor, não só ao brasileiro: por que alguns países optam por manter um comprovante em papel e o Brasil não? Quanto custa desenvolver e manter um parque de urnas próprio, como o Trusted-DRE, em vez de comprar sistemas prontos usados por outras nações? E quais órgãos, em cada um desses 34 países, têm poder de auditar essas máquinas de forma independente?

O material do Canaltech, com base nos dados do International IDEA, não traz esses números de custo ou os nomes dos órgãos fiscalizadores país a país — o que reforça que a comparação internacional de sistemas eleitorais eletrônicos ainda carece de transparência padronizada. Para quem vota, a lição prática é: a urna eletrônica não é uma invenção isolada do Brasil, mas o grau de verificação que ela oferece ao eleitor varia, e muito, de um país para outro.

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