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Ciência01 de set. de 2026, 11:20

ALMA flagra bolhas de gás gigantes na superfície de Betelgeuse

Imagens de 2023 divulgadas pelo Observatório Europeu do Sul mostram regiões de gás quente na supergigante vermelha Betelgeuse, a 600 anos-luz da Terra, e reacendem o debate sobre como a estrela vai morrer.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagina uma estrela tão grande que, se estivesse no lugar do Sol, sua superfície engoliria os planetas até Júpiter. Essa é Betelgeuse: quase 20 vezes mais massiva que o Sol e com um raio cerca de 800 vezes maior. Ela fica a aproximadamente 600 anos-luz da Terra — ou seja, a luz que chega até nós agora saiu de lá por volta do ano 1426. E mesmo a essa distância descomunal, o observatório ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do Observatório Europeu do Sul (ESO), conseguiu fotografar detalhes da superfície dessa supergigante vermelha.

O que foi confirmado pelas imagens

As observações foram feitas em 2023, mas só agora tiveram os resultados divulgados. Segundo o material do ESO, as imagens revelam grandes regiões de gás que se movimentam e apresentam temperaturas diferentes entre si — o retrato de uma superfície turbulenta, e não uniforme. Duas áreas se destacam por serem visivelmente mais quentes que o restante: uma a nordeste, outra a sudoeste. A região mais quente chega a ficar cerca de 530°C acima da temperatura média do gás ao redor, que gira em torno de 2.030°C. As imagens também mostram que Betelgeuse não é perfeitamente redonda e que sua atmosfera se estende bem além do que se considera a superfície visível da estrela.

Um dado chamou atenção dos astrônomos: a região quente identificada a nordeste em 2023 aparece praticamente no mesmo local de uma observação feita em 2015. Isso indica que essa estrutura de gás quente persiste por pelo menos sete anos — um tempo mais longo do que os modelos atuais previam para esse tipo de fenômeno convectivo.

O que ainda é hipótese

Os cientistas associam essas regiões quentes a movimentos convectivos gigantescos dentro da estrela, nos quais gás quente sobe das camadas internas e gera choques ao alcançar a atmosfera externa — mecanismo semelhante, em escala monstruosa, ao que acontece no Sol. É esse tipo de atividade que ajuda a explicar como supergigantes vermelhas perdem massa para o espaço ao longo da vida.

Aqui vale separar o que é dado observado do que é expectativa: as imagens não trazem nenhuma previsão de data para uma eventual explosão de Betelgeuse em supernova. O que os pesquisadores dizem é que entender essa perda de material e a dinâmica da atmosfera da estrela ajuda a refinar os modelos sobre como astros desse tipo evoluem — não que a explosão esteja marcada para um momento específico.

O estudo

Os resultados fazem parte de um artigo científico com base nos dados do ALMA, submetido ao arXiv e aceito para publicação na revista Astronomy & Astrophysics. A pesquisa comparou as imagens de 2023 com observações anteriores, de 2015, para chegar à conclusão sobre a persistência das estruturas de gás quente na superfície da estrela mais observada de perto entre as supergigantes vermelhas.

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