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Mercado09 de out. de 2026, 10:54

Amazon corta menos de mil vagas na divisão de varejo, após 30 mil cortes

A Amazon demitiu menos de mil funcionários da divisão Stores, seu principal negócio de e-commerce, em nova rodada de ajustes que se soma aos cerca de 30 mil cortes feitos desde o ano passado. O movimento ocorre em meio a investimentos pesados em inteligência artificial.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Menos de mil vagas, mas o sinal é maior que o número

A Amazon confirmou uma nova rodada de demissões, e o número isolado é pequeno: menos de mil funcionários de escritório, segundo fonte ouvida pela Reuters. O corte, porém, não deve ser lido de forma isolada. Ele chega poucos dias depois da Prime Big Deal Days, um dos eventos de vendas mais importantes do calendário da companhia, e soma-se a uma onda de cerca de 30 mil demissões iniciada no ano passado e que se estendeu até janeiro.

Quem é afetado

O alvo principal é a divisão Stores, responsável pelo site de e-commerce que é o núcleo do negócio de varejo da Amazon. Dentro dela, as áreas mais atingidas foram atendimento ao cliente e serviços para vendedores parceiros (sellers). As notificações de desligamento alcançaram funcionários nos Estados Unidos, na Índia e no Reino Unido, o que reforça o caráter global do ajuste.

O discurso oficial: ajuste pós-pandemia

A empresa já tem um roteiro pronto para justificar esses cortes recorrentes. Um porta-voz da Amazon afirmou que a companhia "ajustou partes do negócio Stores" para atender melhor às prioridades do negócio. Jeff Bezos, fundador e presidente do conselho da Amazon, foi além em entrevista à Fox News: disse que a empresa contratou demais durante a pandemia, quando o consumo migrou para o digital, e descreveu o período como "incrível e estressante" para a organização.

O que isso sinaliza para a estratégia da Amazon

O padrão que se repete é relevante: cortes recorrentes, em lotes menores, dentro de uma mesma área que já havia sido afetada pela onda de 30 mil demissões. Isso indica que a Amazon trata a reestruturação do varejo como processo contínuo, não como evento único resolvido de uma vez. O timing, coincidindo com o período de maior investimento em infraestrutura de inteligência artificial, reforça a leitura de que a empresa está realocando capital e quadro de pessoal: menos gente em funções operacionais e de atendimento no e-commerce tradicional, enquanto o apetite por gastos em IA continua em expansão nas outras frentes do negócio.

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