
Amazon demite até 250 funcionários da divisão de dispositivos
A Amazon cortou até 250 vagas da divisão de dispositivos dias após lançar novos Kindles, tablets e gadgets com Alexa — o segundo corte de pessoal da empresa só em outubro.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 250
A Amazon cortou até 250 vagas da divisão de dispositivos e serviços — a mesma área que fabrica Kindle, Echo e Alexa — nesta semana, segundo confirmou Cherie Robinson, vice-presidente de recursos humanos da divisão. A empresa não revelou quais equipes especificamente perderam gente, só que a maioria das vagas cortadas era de desenvolvimento de software.
O timing não é coincidência
Os cortes vieram dias depois de a Amazon lançar uma enxurrada de produtos novos: Kindles coloridos, tablets com Android, um despertador inteligente e uma moldura digital com Alexa integrada. Lançar hardware novo e cortar gente da mesma divisão ao mesmo tempo é incomum — normalmente empresas enxugam antes de lançar, não depois. A leitura do mercado é que a Amazon está realinhando equipes conforme o que emplacou e o que não emplacou no catálogo recém-lançado, não cortando por prejuízo direto.
Não é a primeira vez em outubro
Este é o segundo corte de pessoal da Amazon só em outubro: no início do mês, a empresa já tinha eliminado cerca de mil vagas da divisão de varejo. Soma-se a um ano em que a Amazon tem, ao mesmo tempo, investido pesado em data centers e chips de IA e cortado quadro em áreas de menor retorno — um padrão que outras big techs, como Microsoft e Meta, repetiram em 2026.
Quem ganha e quem perde
Quem perde no curto prazo são os profissionais de software da divisão de dispositivos, pegos de surpresa poucos dias depois de ver seu trabalho chegar às prateleiras. Quem ganha, pelo menos no discurso da empresa, é a "eficiência": a Amazon justificou o corte como parte de uma revisão de estrutura organizacional, alinhando equipes ao planejamento de produto — o eufemismo mais usado por empresas de tecnologia pra cortar gente sem admitir desaceleração. Falta a Amazon responder o número que o mercado vai cobrar no próximo balanço: quanto esse tipo de corte intermitente economiza de fato, e se a divisão de dispositivos — historicamente deficitária — está perto de dar lucro.