
Amazon eleva salário mínimo para US$ 20/hora e investe US$ 1,5 bi
A varejista aumenta em US$ 1 o piso salarial por hora de trabalhadores operacionais nos EUA, elevando a remuneração média para quase US$ 24. O investimento total supera US$ 1,5 bilhão, fração mínima do valor de mercado da empresa.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
A Amazon vai injetar mais de US$ 1,5 bilhão em aumentos salariais para seus trabalhadores de operações nos Estados Unidos. Na prática, isso significa US$ 1 a mais por hora para funcionários elegíveis, elevando o piso salarial inicial para US$ 20 por hora e a remuneração média do grupo para quase US$ 24 por hora. O anúncio foi feito nesta terça-feira (16) e abrange cargos como operadores de centros de distribuição e entregadores, boa parte deles sem exigência de experiência prévia.
Quanto isso pesa no bolso da Amazon
Foto: reprodução/thestar.com.my
O investimento bilionário parece expressivo isoladamente, mas encolhe diante do tamanho da companhia: os US$ 1,5 bilhão representam apenas 0,06% dos US$ 2,68 trilhões de valor de mercado da Amazon. É um gasto simbolicamente relevante para a força de trabalho, mas estatisticamente irrelevante para o caixa da empresa.
Quem ganha — e como
Além do reajuste direto, a Amazon anunciou benefícios para justificar a conta de compensação total "acima de US$ 32 por hora", segundo a empresa. Os destaques são o Day 1 Financial, programa de acesso vitalício a serviços bancários de baixo custo via First Tech Federal Credit Union, e descontos em alimentos: 20% em compras presenciais na Whole Foods Market e 10% sem teto em itens de mercearia comprados online na Amazon.com e na Whole Foods Market Online. Somam-se a benefícios já existentes, como assinatura Prime gratuita e cobertura de saúde.
Udit Madan, vice-presidente sênior de Operações Globais da Amazon, disse que a empresa "passou bastante tempo conversando e ouvindo" os times, e que funcionários "valorizam um bom salário, mas também dão muito valor ao pacote completo de benefícios".
Quem questiona
Nem todo mundo comprou o discurso. Nas redes sociais, a reação de funcionários foi mista, com críticas recorrentes mirando os preços praticados pela Whole Foods — rede de supermercados premium comprada pela Amazon em 2017 —, o que esvazia parte do apelo do desconto anunciado. O episódio reforça um padrão do setor: aumentos nominais de piso salarial costumam vir acompanhados de pacotes de benefícios que ajudam a inflar o discurso de remuneração total, mesmo quando o impacto real no poder de compra é mais modesto.