
Amazon enterra a marca Fire depois de 15 anos e aposta tudo nos Alexa Tablets
A Amazon encerrou a era Fire Tablet e lançou os Alexa Tablets, linha com três modelos rodando Android puro, acesso total à Google Play Store e o assistente Alexa+. O topo de linha, o 12 Pro, chega a US$ 499 e estreia uma tela fosca inédita, a nanomatte.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
O fim de uma era chamada Fire
Quinze anos depois de criar os tablets Fire, a Amazon decidiu que era hora de parar de brigar contra o ecossistema Android em vez de abraçá-lo. Nasce a linha Alexa Tablets, com três modelos — Alexa Tablet 12 Pro, Alexa Tablet 11 e Alexa Tablet 8 —, todos rodando Android de verdade, com acesso total à Google Play Store. Na prática, isso significa dizer adeus à Amazon Appstore como única porta de entrada e finalmente abrir a loja de apps que todo mundo já usa no celular. A Amazon foi categórica ao afirmar que não se trata de um reposicionamento de marca do Fire, e sim de uma linha de produto totalmente nova, com hardware e sistema operacional novos.
Specs viram experiência: a tela que não brilha
O modelo mais ambicioso é o Alexa Tablet 12 Pro, com tela de 12 polegadas, proporção 3:2, resolução de 2.800 x 1.840 pixels (280 PPI) e taxa de atualização de 120Hz. Só que o detalhe que rouba a cena não é número de pixel: é uma textura. A versão Nanomatte do 12 Pro, vendida a partir de US$ 549,99 (a versão padrão custa US$ 499,99), aplica um acabamento fosco à tela que corta o reflexo quase por completo — o tipo de coisa que parece bobagem no papel, mas muda o uso real em ambientes com luz forte, tipo uma varanda ensolarada ou aquele escritório com janelão. É uma resposta direta ao nano-texture que a Apple levou ao iPad Pro a partir da geração M4, e o efeito em mãos é parecido: a sensação ao toque lembra papel fosco, não vidro liso. Some-se a isso um corpo de alumínio estampado de 6,5 mm de espessura, processador de 8 núcleos em 4nm e até 16GB de RAM na versão com Nanomatte, e dá pra entender por que a Amazon fala em acessórios como a Alexa Tablet Pro Pen e um teclado que prometem transformar o aparelho em estação de trabalho — um recado nada sutil para quem olha de lado o iPad Pro e o Galaxy Tab.
Os outros dois da família
O Alexa Tablet 11 fica no meio do caminho: tela de 11 polegadas em 2.5K (276 PPI), 90Hz, proporção 16:10, autonomia de 15 horas de vídeo e preço a partir de US$ 329,99. Já o Alexa Tablet 8, o mais compacto e barato da fiada, parte de US$ 229,99, com tela de 8,7 polegadas e corpo de alumínio pensado para segurar com uma mão só — o clássico tablet de sofá, agora com Google Play liberado.
Alexa+ embarcado e a versão para os filhos
Todos os modelos trazem o Alexa+, versão do assistente com IA generativa, integrada ao sistema, incluindo um recurso que lê o que está na tela para dar ajuda contextual. E tem versão kids: nos tamanhos 8,7 e 11 polegadas, voltada para as faixas Pré-K (3+) e 6+, vem com capa à prova de criança e um ano de Kids+. O diferencial é que os pais conseguem, pelo painel de controle parental, liberar ou restringir especificamente o que a criançada acessa dentro da própria Google Play Store — um equilíbrio que o Fire Kids nunca ofereceu, porque simplesmente não tinha a loja do Google.
Vale o preço no Brasil?
Os lançamentos chegam aos EUA, México e Canadá em 14 de outubro, com Europa seguindo poucos dias depois. Não há, até o momento, confirmação de chegada ao Brasil nem conversão de preço por aqui. Com o dólar no patamar atual, um 12 Pro de US$ 499 facilmente ultrapassaria a casa dos R$ 4 mil importado — valor que já encosta em iPads de entrada. A pergunta que fica: será que o combo Android completo com Alexa+ compensa abrir mão da simplicidade (e do preço baixo) que sempre foi a marca registrada do Fire?
Atualização (08/10, 15:54): Panos Panay, chefe de eletrônicos de consumo da Amazon, confirmou à Bloomberg o fim da marca Fire. Segundo ele, a linha "não estava dando aos clientes o que eles estavam pedindo" — uma referência direta ao Fire OS, sistema customizado que isolava os tablets do Android puro e da Play Store.
Os novos Alexa Tablets corrigem exatamente esse ponto: rodam Android de verdade, com acesso total à Google Play Store, em vez da versão fechada que a Amazon manteve por 15 anos. A Amazon segue dando suporte de segurança aos aparelhos Fire já vendidos, mas não vai mais fabricar novas unidades da linha.
Atualização (09/10, 03:55): Atualização (09/10/2026): A Amazon detalhou preços e especificações da nova linha Alexa Tablets, que substitui oficialmente os antigos Fire Tablets. O carro-chefe Alexa Tablet 12 Pro tem tela de 12 polegadas (280 ppi, 120 Hz), processador octa-core de 4nm, até 16 GB de RAM, Wi-Fi 6E e corpo usinado em peça única de alumínio, com apenas 6,5 mm de espessura. Ele custa a partir de US$ 499,99 (cerca de R$ 2.500) na configuração padrão e US$ 549,99 (cerca de R$ 3.000) na versão com tela anti-reflexo Nanomatte — valor que inspirou a chamada de "preços chegam a R$ 3 mil". Teclado magnético (US$ 149,99) e stylus (US$ 89,99) são vendidos separadamente.
Os modelos intermediário e de entrada completam a linha: o Alexa Tablet 11, com tela 2,5K de 11 polegadas e 90 Hz, parte de US$ 329,99 (~R$ 1.650); e o Alexa Tablet 8, com tela de 8,7 polegadas e apenas 329 gramas, parte de US$ 229,99 (~R$ 1.150). Ambos têm versões voltadas a crianças (Kids), com capas temáticas (Barbie, Paw Patrol), assinatura anual do Amazon Kids+ incluída e a ferramenta de IA Storybuilder para criar histórias ilustradas — reforçando o posicionamento da linha em três frentes: produtividade (12 Pro), entretenimento (11) e uso infantil (variantes Kids de 8 e 11 polegadas).
Os três modelos chegam às lojas dos EUA, México e Canadá em 14 de outubro de 2026, com Europa a partir de 19 de outubro. A Amazon ainda não confirmou data de lançamento nem preços oficiais em reais para o Brasil — os valores em R$ citados são conversões diretas do preço em dólar.