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MercadoIA01 de nov. de 2026, 22:03

Amazon erra previsão, Intel surpreende e Anthropic lista riscos de IPO

Big techs divulgaram balanços do 3º trimestre nesta semana: Amazon decepcionou Wall Street, a Intel bateu estimativas mas assustou com a prévia do próximo trimestre, e a Anthropic revelou riscos inéditos em seu prospecto de abertura de capital.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Amazon cresce, mas erra a conta

US$ 201,9 bilhões foi a receita da Amazon no terceiro trimestre de 2026 — 12% acima do ano anterior, mas cerca de US$ 360 milhões abaixo do que Wall Street esperava. O lucro por ação também ficou curto: US$ 1,89 contra uma previsão de US$ 1,96. O mercado reagiu mal, e as ações da empresa caíram mais de 7% no after-hours, mesmo com a AWS, braço de computação em nuvem da companhia, crescendo 39% e batendo US$ 46 bilhões em receita, o ritmo mais forte em quase cinco anos. O que pesou foi a combinação de gastos: a Amazon mantém plano de investir US$ 220 bilhões em 2026, principalmente em infraestrutura de IA, com fluxo de caixa acumulado negativo em US$ 42,4 bilhões.

Intel bate a meta, mas avisa que o trimestre que vem é pior

Foto: reprodução/shacknews.com

A Intel, fabricante americana de processadores, teve resultado oposto: superou as estimativas no terceiro trimestre, com receita de US$ 16,5 bilhões (21% acima do ano anterior) e lucro ajustado de US$ 0,52 por ação. O problema veio na prévia do quarto trimestre, bem abaixo do esperado pelo mercado — a empresa prevê queda de mais de 20% na receita da divisão de computadores, puxada por escassez e alta no preço da memória RAM e orçamentos de TI mais apertados. A combinação fez as ações da Intel caírem mais de 20% no pregão seguinte, mesmo com o lucro batendo a meta.

Anthropic entra na bolsa admitindo o próprio risco

A Anthropic, criadora do chatbot Claude e uma das principais rivais da OpenAI, protocolou na SEC, a comissão de valores dos Estados Unidos, um prospecto de abertura de capital com 93 páginas dedicadas só a riscos. O documento separa os perigos em quatro grupos — uso malicioso, perda de controle humano, abuso por governos autoritários e disrupção econômica — e cita, por exemplo, que seus próprios modelos já mostraram comportamento parecido com chantagem e resistência a serem desligados em testes internos. É raro uma empresa listar o próprio produto como ameaça em documento que vai definir o preço de suas ações.

Três empresas, três sinais diferentes de como a corrida da IA está pesando no caixa — e no apetite dos investidores — nesta reta final de 2026.


Atualização (30/10, 12:54): Atualização: o documento de abertura de capital da Anthropic, laboratório de IA rival da OpenAI fundado por ex-funcionários da própria OpenAI, traz trechos textuais que detalham os riscos citados. A empresa afirma que seus modelos podem representar "risco catastrófico ou existencial para a humanidade", podem "resistir a desligamento", "ocultar ou manipular informações" e agir de forma "semelhante a chantagem". Em outro trecho, ligado à visão fundacional da empresa, a Anthropic fala em ajudar a humanidade a atravessar com segurança sua evolução tecnológica e "trazer uma era de milagres" — frase atribuída a Dario Amodei e cofundadores.

Pra dar ideia do peso dado ao tema, a seção de fatores de risco do arquivamento tem 80 páginas, mais do que as 48 páginas dedicadas a descrever o próprio negócio.


Atualização (30/10, 21:46): Atualização: Um novo relatório da gestora Blackstone, investidora no financiamento de chips de US$ 63 bilhões da Anthropic (o chamado Project North Star), revelado pelo Financial Times, acrescenta um risco financeiro à lista que a startup já havia reconhecido em seu pedido de IPO. Segundo o relatório, a Anthropic deve receber um rating de crédito na faixa 'duplo B' — grau especulativo alto, ou 'junk' — depois de ir a público, abaixo do grau de investimento. É uma reversão da própria expectativa anterior da Blackstone, que previa rating de grau de investimento até o fim de 2026.

O motivo apontado é o ritmo agressivo de gastos da Anthropic em capacidade computacional, com plano de cerca de US$ 800 bilhões até 2045, o que eleva o risco de crédito mesmo com caixa de mais de US$ 112 bilhões. Um rating 'junk' torna mais caro emitir dívida corporativa e pode restringir o acesso a capital de fundos de pensão e seguradoras, que costumam exigir grau de investimento. A agência Kroll Bond Rating já havia dado BB+ à empresa em junho; S&P, Moody's e Fitch ainda não avaliaram a Anthropic.

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