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MercadoIA15 de out. de 2026, 10:23

Amazon já opera 1 milhão de robôs e mira automatizar 75% da operação

A empresa, segunda maior empregadora privada do mundo, projeta dobrar a frota de braços robóticos em 2026 e documentos internos indicam meta de evitar 600 mil contratações nos EUA até 2033.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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1 milhão de robôs trabalhando 24 horas por dia

Esse é o tamanho da frota que a Amazon já opera em seus centros de distribuição ao redor do mundo — nenhuma outra organização no planeta tem mais robôs rodando. E a empresa, que também é a segunda maior empregadora privada do mundo, com cerca de 1,5 milhão de funcionários, não pretende parar por aí: o CFO Brian Olsavsky afirmou que a varejista está retrofitando centros de distribuição com tecnologia mais nova e espera mais do que dobrar a frota de braços robóticos em 2026.

De Proteus a Vulcan: a escalada de sofisticação

A corrida robótica da Amazon passou por gerações bem distintas de máquinas. O Proteus é o primeiro robô móvel totalmente autônomo da empresa, capaz de entender comandos e circular livremente pelo armazém. O Sparrow nasceu para resolver um problema mais sutil: pegar e separar itens de formatos e tamanhos variados dentro de totes de pedidos. Já o Vulcan, o mais recente da linhagem, é o primeiro a combinar visão computacional com sensores de força — na prática, uma espécie de sentido de tato que permite ao robô ajustar a preensão em tempo real ao manipular produtos nos estoques. Para sustentar esse ritmo, a empresa anunciou uma fábrica multibilionária de robótica em Austin, no Texas, com previsão de gerar de 300 a 500 empregos de manufatura e engenharia.

O número que preocupa quem trabalha no chão de fábrica

Aqui mora o lado mais sensível da história: segundo documentos internos obtidos pelo New York Times, a Amazon mira automatizar até 75% de toda a sua operação e, com isso, evitar a contratação de mais de 600 mil trabalhadores nos Estados Unidos até 2033. Não se trata de demissão direta em massa anunciada publicamente, mas de vagas que deixariam de existir à medida que a automação avança — um efeito que pesa sobre o mercado de trabalho logístico sem aparecer como manchete de corte de pessoal.

Quem dita o ritmo agora

Executivos da Amazon defendem que a frota crescente de robôs tirou do trabalhador humano as tarefas mais desgastantes fisicamente e com maior risco de lesão, liberando pessoas para funções mais qualificadas. Mas Brian Greenwood, professor de negócios da George Mason University, nos Estados Unidos, aponta o outro lado da moeda: quando o robô trabalha fisicamente próximo ao humano, é ele quem passa a ditar o ritmo do trabalho — não o contrário. Quem ganha, no curto prazo, é a produtividade e a margem operacional da Amazon; quem corre risco é o trabalhador de armazém, pressionado por um cronograma definido por máquina.

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