tech & talk
Mercado26 de set. de 2026, 16:40

Amazon recontrata ex-funcionários de IA e cloud após 30 mil demissões

Recrutadores da Amazon buscam profissionais demitidos para preencher vagas em inteligência artificial e computação em nuvem, mostram e-mails internos.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

O número que importa

Mais de 30 mil postos. Foi esse o total de cortes que a Amazon, gigante americana de e-commerce e computação em nuvem, aplicou em múltiplas rodadas desde outubro de 2025. Agora, segundo e-mails internos obtidos pelo Business Insider, a empresa está batendo à porta de parte desses profissionais — para contratá-los de volta.

Os recrutadores miram vagas abertas em inteligência artificial e na AWS, a divisão de computação em nuvem da Amazon. A iniciativa ganhou até nome interno: "Swami's Boomerang Reengagement Initiative", referência a Swami Sivasubramanian, vice-presidente da AWS à frente da área de agentes de IA.

Quem ganha, quem perde

Não há número oficial de quantos ex-funcionários já foram efetivamente recontratados — os relatos falam em convites para conversas sobre vagas, não em contratações confirmadas em massa. Mas o padrão não é novo: funcionários "bumerangue" já responderam por cerca de 35% das novas contratações da Amazon nos EUA em março de 2025, contra 31% um ano antes.

Um recrutador da área financeira da AWS chegou a oferecer processo de entrevista abreviado a um ex-funcionário e perguntou se a política de retorno obrigatório ao escritório havia influenciado sua saída — indício de que a empresa também está de olho em quem partiu por outros motivos além do corte de vagas.

A justificativa oficial para as demissões foi reduzir "burocracia" e deixar a estrutura mais enxuta. Beth Galetti, vice-presidente sênior de recursos humanos da Amazon, chegou a associar os cortes ao avanço da inteligência artificial dentro da empresa.

A versão da Amazon

Procurada pelo Business Insider, a porta-voz Haley Silva negou que se trate de um programa novo focado em IA ou cloud: recontratar ex-funcionários, disse, é "uma prática normal e de longa data em toda a empresa". Segundo ela, a Amazon está recrutando para vagas abertas, sem alvo específico entre quem saiu insatisfeito com o retorno ao escritório.

Fica a pergunta que a empresa não respondeu: quantas das 30 mil vagas cortadas vão mesmo voltar a existir — e quantas simplesmente migraram para outra área do negócio.

amazondemissõesmercado de trabalhoiacloud
Compartilhar