
Amazon vai financiar 12 minirreatores nucleares em Indiana
Amazon, X-energy e AEP vão desenvolver uma usina de pequenos reatores modulares no local de uma extinta termelétrica a carvão em Indiana, com quase 1 GW de capacidade prevista para alimentar data centers de IA. O projeto ainda está em fase de estudo de viabilidade, sem data de operação confirmada.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala: quase 1 GW em reatores do tamanho de um contêiner
Pra ter uma ideia do tamanho do projeto: 1 gigawatt é aproximadamente a potência de uma usina nuclear convencional de porte médio — energia suficiente para abastecer, em tese, uma cidade de porte médio inteira funcionando ao mesmo tempo. Só que aqui essa capacidade não vem de um reator gigante, e sim fatiada em 12 unidades pequenas, cada uma gerando cerca de 80 megawatts.
A Amazon anunciou que vai financiar o desenvolvimento de uma usina de 12 pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês) no terreno onde funcionava a Breed Generating Station, termelétrica a carvão já demolida em Fairbanks, no condado de Sullivan, Indiana, ao sul de Terre Haute. Juntos, os reatores devem somar cerca de 960 megawatts — perto do 1 gigawatt citado pela empresa.
Foto: reprodução/powermag.com
Quem faz o quê
O projeto reúne três empresas com papéis bem definidos, segundo apuração do TechCrunch e do The Verge:
- A Amazon banca o desenvolvimento do projeto e pretende ser a primeira compradora da energia gerada, via contrato de longo prazo.
- A X-energy — companhia americana especializada em projetar reatores nucleares modulares pequenos (SMRs) — fornece a tecnologia dos reatores, modelo Xe-100.
- A American Electric Power (AEP) — uma das maiores concessionárias de energia elétrica dos Estados Unidos — assume a operação da usina, por meio de sua subsidiária Indiana Michigan Power.
O que já está fechado e o que ainda é projeção
Aqui vale separar o que é contrato e o que é plano. O que está confirmado: o acordo comercial entre as três empresas e o compromisso de financiamento da Amazon. O que ainda é projeção: o projeto segue em fase de estudo de viabilidade, sem data de início de operação definida — prazos de licenciamento e construção de usinas nucleares nos EUA costumam ser longos e sujeitos a atrasos regulatórios, e nenhuma das fontes aponta um ano confirmado para a planta entrar em funcionamento.
O acordo é o segundo entre Amazon e X-energy, cerca de três vezes maior que o primeiro, fechado em 2024 para abastecer uma planta da Dow Chemical no Texas. As duas empresas dizem ter a meta conjunta de viabilizar 5 gigawatts de nova capacidade nuclear nos EUA até 2039 — também uma projeção de longo prazo, não um cronograma de obra.
Por que big techs estão de olho no nuclear
A aposta não é isolada. A demanda de eletricidade de data centers nos EUA deve crescer centenas de terawatts-hora até o fim da década, puxada por treinamento e uso de modelos de IA, que exigem fornecimento constante de energia — algo que fontes intermitentes como solar e eólica não garantem sozinhas. Por isso Amazon, Google, Microsoft e Meta vêm investindo pesado em reatores modulares pequenos como alternativa de energia limpa e disponível 24 horas. A própria Amazon liderou, em outubro de 2024, uma rodada de investimento de US$ 700 milhões na X-energy.
Resta saber se o cronograma ambicioso de reatores menores e mais rápidos de construir vai se confirmar na prática — histórico do setor nuclear nos EUA é de atrasos.