
Amazônia tem menor desmatamento da história; Cerrado também recua
Dados do PRODES/INPE mostram queda de 42% no desmatamento amazônico e 24% no Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026, as menores taxas desde o início do monitoramento por satélite.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Imagine apagar do mapa uma área pouco maior que a cidade de São Paulo — e ainda assim ser a menor destruição já registrada. Foi o que aconteceu com a Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026: 3.335 km² de floresta derrubada, segundo dados divulgados em 16 de outubro pelo governo federal. É o menor número desde que o monitoramento por satélite da região começou, em 1988.
O que está confirmado
Foto: reprodução/climainfo.org.br
Os números vêm do PRODES, o Programa de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite, operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão federal responsável por rastrear a cobertura florestal brasileira a partir de imagens orbitais captadas nos meses de menor nebulosidade. A queda de 42% em relação ao ciclo anterior (5.731 km²) supera até o recorde de 2012, quando foram desmatados 4.571 km² — até agora, o piso histórico da série. Em quatro anos, a retração acumulada chega a 71%.
O Cerrado, segundo bioma mais afetado do país, também bateu seu próprio piso: 5.517 km² de vegetação nativa suprimida, queda de 24% no ano e 48% em quatro anos — a menor área desde que esse monitoramento específico passou a existir, em 2001. Os quatro estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentraram 74,3% de toda a destruição no bioma.
Foto: reprodução/portalamazonia.com
O papel do satélite
O dado central aqui é tecnológico: sem o PRODES — e sem o DETER, sistema do mesmo INPE que gera alertas quase em tempo real para orientar fiscalização em campo — não haveria como cravar esses números com a precisão que vira política pública. É esse monitoramento orbital contínuo, consolidado imagem a imagem, que permite a comparação direta com registros que vão até os anos 1990, quando o desmatamento anual na Amazônia passava de 30 mil km².
O que é atribuição, não medição direta
Governo e especialistas associam a queda à retomada, a partir de 2023, dos planos de combate ao desmatamento e ao reforço da fiscalização — o Ibama realizou mais de 76 mil ações de fiscalização desde então, e a Polícia Federal abriu quase 8 mil inquéritos por crimes ambientais entre 2023 e 2026. Essa é uma leitura causal, não um dado medido pelo satélite em si: o PRODES mede área desmatada, não motivos. A estimativa de que a redução evitou a emissão de 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa também é um cálculo derivado, não uma medição direta de emissões.