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Mercado11 de ago. de 2026, 00:15

AMD detalha arquitetura Zen 6 e mira brecha aberta pela Intel

A AMD revelou oficialmente a arquitetura Zen 6, batizada Venice para os servidores Epyc, com fabricação em 2nm na TSMC. O histórico da empresa sugere que os ganhos devem chegar também aos Ryzen de consumo.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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AMD acelera o próximo passo dos processadores

A AMD revelou oficialmente a arquitetura Zen 6, batizada de Venice na linha de servidores Epyc, durante o evento Advancing AI 2026, realizado em São Francisco em 22 e 23 de julho. É a primeira vez que a companhia detalha publicamente esse novo projeto, que chega como sexta geração da família Epyc e como primeiro chip de alto desempenho do setor produzido em volume no processo de 2 nanômetros da TSMC, com transistores Gate-All-Around substituindo a tecnologia FinFET usada desde 2011.

Mais núcleos, mais cache, mais pressão sobre a Intel

Foto: reprodução/techtimes.com

Os números divulgados são expressivos: a configuração de topo do Epyc Venice chega a 256 núcleos, distribuídos em oito chiplets (CCDs) de 32 núcleos cada — um salto de 33% sobre o teto de 192 núcleos da geração anterior, a Turin. Já o CCD padrão da arquitetura Zen 6 passa de 8 para 12 núcleos, com cache L3 subindo de 32 MB para 48 MB por chiplet. Segundo a TSMC, o novo processo de 2nm entrega entre 10% e 15% mais desempenho no mesmo envelope de energia da geração N3E usada na Turin, ou uma redução de até 30% no consumo com desempenho equivalente.

Esse avanço técnico é o tipo de munição que a AMD vem usando havia anos para corroer a liderança histórica da Intel no mercado de processadores para data centers — e, por tabela, também no segmento de PCs e notebooks. A Intel, por sua vez, trabalha em sua própria resposta, com a arquitetura híbrida de três níveis de núcleos (P-cores, E-cores e LP-cores) prevista para a família Core Ultra 400, mas com modelos desbloqueados só esperados para o outono de 2026 no hemisfério norte.

Quem ganha e quem perde com a disputa

A estratégia da AMD de estrear arquiteturas novas primeiro nos servidores Epyc para só depois trazê-las aos Ryzen de consumo já é conhecida do mercado, e há expectativa de que o mesmo aconteça com a geração Zen 6. Ainda assim, há incerteza sobre o calendário: enquanto a AMD confirmou 2026 como o ano de lançamento do Zen 6 em seu roadmap, há relatos de que os processadores Ryzen desktop baseados na arquitetura podem escorregar para 2027, com a prioridade imediata da empresa concentrada nos chips corporativos.

Para quem compra notebooks e PCs no Brasil, o desdobramento prático ainda é indireto: por ora, o avanço é sentido pelas empresas que operam data centers e serviços de nuvem, que ganham chips mais eficientes e densos em núcleos. Mas a confirmação de que a AMD segue avançando em ritmo acelerado — enquanto a Intel também atrasa lançamentos importantes, como o Nova Lake-S, para 2027 — reforça um cenário de concorrência mais equilibrada, o que tende a beneficiar o consumidor final com mais opções e pressão sobre preços quando as novas gerações chegarem às prateleiras.

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