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Mercado06 de nov. de 2026, 07:46

AMD fatura US$ 13,4 bi no 3T26, maior receita e lucro da história

Puxada pelo data center, a AMD teve o trimestre mais lucrativo de sua história e já projeta faturar US$ 17 bilhões no próximo — um salto que reacende a corrida contra a Nvidia na infraestrutura de IA.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa: US$ 13,4 bilhões

A AMD (NASDAQ: AMD), fabricante de chips que disputa com a Nvidia o mercado de processadores e aceleradores de IA para data centers, reportou receita de US$ 13,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 45% em relação ao ano anterior. É o maior faturamento trimestral da história da companhia — e também o mais lucrativo, segundo a CEO Lisa Su, que resumiu o resultado na teleconferência com investidores: "o maior e mais lucrativo trimestre da nossa história".

Quem puxou a conta: data center

A unidade de Data Center foi a protagonista isolada: receita de US$ 8,5 bilhões, salto de 97% ano a ano, impulsionada pelos processadores EPYC de quinta geração e pelas vendas recordes de aceleradores de IA, com destaque para o início dos embarques da nova linha Instinct MI450. O segmento já responde por 64% da receita total da AMD — um ano atrás, era 47%. A margem operacional do data center chegou a 34%, com lucro operacional de US$ 2,9 bilhões, alta de 168% no comparativo anual.

No consolidado, a margem bruta foi de 54%, o lucro líquido somou US$ 2,4 bilhões e o lucro por ação diluído (GAAP) foi de US$ 1,46. No critério ajustado (non-GAAP), o EPS avançou 74%, para US$ 2,09, acima do consenso de mercado de US$ 1,94.

Quem ganha e quem perde

Ganha a AMD, que surfa a mesma onda de investimento em infraestrutura de IA que turbinou a Nvidia nos últimos trimestres — e que já assinou contratos bilionários com OpenAI (fornecimento de chips MI450) e Meta (até US$ 60 bilhões em aceleradores de IA). O mercado comprou a tese: a ação subiu cerca de 3,65% no pregão regular e mais 7,5% no after-hours.

Quem perde atenção, ao menos por ora, é o segmento de Client e Gaming, que recuou 8% no ano, para US$ 3,7 bilhões, evidenciando que o crescimento da empresa está cada vez mais concentrado em nuvem e IA — e cada vez menos em PCs e consoles.

O próximo múltiplo: US$ 17 bilhões

Para o quarto trimestre, a AMD projeta receita de aproximadamente US$ 17 bilhões (variação de ±3%), o que configuraria outro recorde histórico. A empresa também sinalizou que o crescimento do data center deve acelerar no período, com a receita anual do segmento mais que dobrando em relação a 2025. Mesmo com a Nvidia ainda dominando a maior parte do mercado de GPUs para IA, a AMD mostra que tem espaço — e demanda — para crescer na mesma mesa.


Atualização (05/11, 00:47): ATUALIZAÇÃO: Além do resultado recorde do trimestre, a AMD revelou algo inédito em sua história: a projeção de faturar mais que a Intel já no próximo trimestre. Para o 4T26, a AMD estima receita de aproximadamente US$ 17 bilhões (variação de 3% para mais ou menos), enquanto a Intel projeta entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões para o mesmo período.

Se a projeção se confirmar, mesmo no cenário mais conservador da banda estimada pela AMD, a empresa comandada por Lisa Su superará o faturamento trimestral da Intel — algo que nunca havia acontecido desde a fundação da companhia. O avanço é puxado pela divisão de data center, que somou US$ 8,55 bilhões no 3T26 (alta de 97% na comparação anual) e já responde por 64% da receita total da AMD, impulsionada pela demanda por processadores Epyc e aceleradores Instinct MI455X de clientes como Microsoft, Meta, OpenAI e Oracle.


Atualização (05/11, 00:47): Os números por segmento do balanço do 3T26 da AMD, divulgados após a publicação da matéria original, mostram uma disparidade marcante entre as divisões da empresa. A receita de data center somou US$ 8,5 bilhões, um salto de 97% em relação ao mesmo período do ano anterior — praticamente dobrando — impulsionado pela forte demanda por processadores EPYC e pelo lançamento das GPUs Instinct MI450. O segmento já responde por cerca de 64% de toda a receita da AMD no trimestre.

Na outra ponta, a divisão de games registrou receita de US$ 773 milhões, queda de 40% frente ao ano anterior. O resultado contrasta com o desempenho do restante do portfólio: a divisão client cresceu 7%, para US$ 2,95 bilhões, e a embedded avançou 29%, para US$ 1,1 bilhão. O tombo em games reforça que o crescimento recorde da AMD no trimestre foi puxado quase inteiramente pela infraestrutura de data center e inteligência artificial.

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