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Mercado06 de nov. de 2026, 07:45

AMD promete não abandonar Ryzen, mas números mostram gigante de IA

A divisão de data center da AMD cresceu 97% e já representa 64% da receita da empresa, enquanto o segmento de Ryzen e PCs patina. Lisa Su garante que o público gamer não será deixado de lado.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

US$ 8,5 bilhões. Foi o que a divisão de data center da AMD, fabricante americana de processadores e uma das principais rivais da Nvidia e da Intel, faturou no terceiro trimestre de 2026 — alta de 97% em relação a um ano antes. Esse único segmento já responde por 64% de toda a receita da empresa, contra 47% há um ano. Em comparação, o negócio de computadores, que inclui os processadores Ryzen usados por gamers, faturou US$ 2,9 bilhões, com crescimento de apenas 7% no período.

A receita total da AMD somou US$ 13,4 bilhões no trimestre, com lucro líquido de US$ 2,4 bilhões. A CEO Lisa Su descreveu o resultado como o "trimestre mais lucrativo da história" da companhia.

Quem ganha: o negócio de IA

O salto na divisão de data center foi puxado pelas vendas recordes dos processadores Epyc, usados em servidores, e das aceleradoras Instinct, linha de chips para inteligência artificial que compete diretamente com as GPUs da Nvidia. O lançamento da nova geração Instinct MI450 ajudou a turbinar o resultado, e a AMD já projeta receita de aproximadamente US$ 17 bilhões no quarto trimestre, patamar que supera marcas historicamente associadas à rival Intel. Su afirmou esperar aceleração ainda maior no próximo trimestre, à medida que a produção dos novos chips Helios e Venice ganha escala.

Quem fica em segundo plano: Ryzen e os gamers

Enquanto a IA domina as atenções, o público que mais identifica a marca AMD no consumo final sente o outro lado da moeda. A fatia do Ryzen na receita total da empresa caiu de 30% para 22% nos últimos cinco trimestres, e a divisão de games, que inclui chips para consoles e placas de vídeo Radeon, registrou queda de 40% no último ano. A atual geração Ryzen 9000 já tem dois anos de mercado, sem data anunciada para uma sucessora.

Mesmo assim, Lisa Su reforçou que a empresa não pretende abandonar o mercado consumidor, destacando que a flexibilidade da linha de produção permite realocar capacidade fabril entre data center e PCs conforme a demanda de cada frente. Na prática, porém, os números do trimestre deixam claro qual lado da empresa está determinando o apetite de investimento da AMD neste momento.

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