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Mercado22 de set. de 2026, 09:54

AMD ultrapassa US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez e passa a Intel

A AMD fechou o pregão desta segunda-feira (21) valendo mais de US$ 1 trilhão pela primeira vez na história, embalada por um rali de semicondutores puxado pelo entusiasmo com IA. A Intel, rival histórica, nunca chegou perto dessa marca.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

A AMD (Advanced Micro Devices, fabricante americana de processadores e chips gráficos) fechou o pregão de segunda-feira (21) valendo mais de US$ 1 trilhão pela primeira vez na história. A ação disparou 9,95% no dia, atingindo máxima histórica de US$ 613,92, e coroou um rali de cinco pregões consecutivos que já soma alta de cerca de 25% — e mais de 180% no acumulado do ano. É a quarta fabricante de chips americana a cruzar a barreira do trilhão, depois de Nvidia, Broadcom e Micron Technology (empresas de semicondutores ligadas a data centers e memória).

Intel sobe, mas fica para trás

A Intel também teve um pregão forte, com alta superior a 12% — o melhor desempenho do S&P 500 no dia —, mas segue com valor de mercado na casa dos US$ 600 bilhões, bem distante do trilhão que a AMD acaba de cravar. A companhia, que já dominou o mercado de processadores por décadas, nunca registrou uma capitalização de mercado nessa magnitude. O contraste marca uma inversão simbólica: a AMD, historicamente vista como a concorrente menor, hoje vale bem mais que a rival que definiu o padrão do setor.

Quem puxou o gatilho

O estopim do rali foi batizado de "efeito Muse": o agente de inteligência artificial da Meta (dona do Facebook e Instagram), lançado no início do mês, alcançou o primeiro lugar entre os aplicativos gratuitos da App Store da Apple, reacendendo o apetite dos investidores por ações ligadas à infraestrutura de IA. A Meta é a segunda maior cliente da AMD, respondendo por cerca de 5,5% da receita da fabricante — daí o efeito direto sobre o papel. O índice de semicondutores da Filadélfia (Philadelphia Semiconductor Index, termômetro do setor nos EUA) subiu 4,29% na sessão, a quinta alta seguida.

Quem ganha e quem perde

Ganha a AMD, que surfa a expectativa de que a adoção em massa de agentes de IA vai turbinar a demanda por CPUs de servidor e capacidade de inferência em data centers — território onde a empresa vem ganhando espaço. Ganha também a Arm Holdings, que subiu 17% no mesmo movimento. A Intel, apesar do salto pontual de 12%, continua atrás na corrida por valor de mercado, ainda tentando provar que sua guinada em fabricação avançada de chips vai se traduzir em resultados. E há um lembrete de escala: mesmo com o trilhão batido, a AMD ainda é pequena perto da Nvidia, avaliada em cerca de US$ 5,4 trilhões — o verdadeiro gigante da era da IA.

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