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Smart CitiesSegurança27 de ago. de 2026, 19:22Atualizada em 28 de ago. de 2026, 21:46

Americanos comemoram destruição de câmeras de vigilância da Flock

Câmeras de leitura de placas da Flock Safety vêm sendo serradas, pintadas e derrubadas por caminhões em cidades dos EUA, em meio a temores de que os dados alimentem operações de deportação do ICE. Mais de 90 cidades já cancelaram contratos com a empresa.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Onda de vandalismo contra câmeras de vigilância nos EUA

Câmeras de leitura automática de placas (ALPR, na sigla em inglês) da empresa Flock Safety estão sendo destruídas em série por moradores em diferentes cidades dos Estados Unidos — e, em vez de reprovação, os autores dos ataques vêm recebendo apoio público. Casos recentes incluem equipamentos cortados com serra elétrica no estado de Nova York, câmeras pichadas com tinta em Oakland (Califórnia) e um dispositivo derrubado por um caminhão em Idaho. Na Virgínia, um único ativista é apontado como responsável pela destruição de ao menos 13 câmeras da empresa.

Por que a Flock virou alvo

A Flock Safety vende às polícias locais uma rede nacional de câmeras que leem placas de veículos automaticamente, permitindo rastrear deslocamentos de carros por diferentes cidades. O estopim da revolta foi a descoberta de que o Departamento de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) vem obtendo acesso indireto a esses dados: a agência não tem contrato formal com a Flock, mas pede a policiais estaduais e locais que façam buscas em seu nome. Mais de 4 mil consultas já teriam sido feitas a pedido do governo federal para fins de fiscalização migratória, segundo levantamentos citados na imprensa americana.

Soma-se a isso um episódio em que a própria Flock expôs acidentalmente transmissões de câmeras ao vivo na internet, e um histórico de dezenas de policiais acusados de usar os leitores de placa para fins pessoais, incluindo perseguição a ex-parceiros.

Cidades cancelam contratos aos montes

A reação não ficou restrita aos ataques físicos aos equipamentos. Segundo o grupo ativista DeFlock, que mapeia a presença da empresa no país, mais de 90 cidades e outras jurisdições já cancelaram ou rejeitaram contratos com a Flock. Somente em julho, mais de 20 municípios encerraram acordos com a empresa — o maior número em um único mês desde que o DeFlock começou a monitorar a companhia, em 2021.

O que isso significa para o debate sobre vigilância

O episódio reacende, nos Estados Unidos, a discussão sobre até que ponto tecnologias de vigilância implantadas por prefeituras sob a bandeira de segurança pública podem ser redirecionadas para outros fins sem o conhecimento ou consentimento dos cidadãos — e quem, de fato, fiscaliza o uso desses dados depois que a câmera é instalada.


Atualização (28/08, 15:56): Atualização (28/08/2026): Uma nova pesquisa do instituto YouGov, com 20 mil entrevistados nos Estados Unidos e compartilhada com o Washington Post, mostra que a rejeição às câmeras de leitura de placas usadas pela polícia já supera o apoio: 46% dos americanos se dizem contrários ao uso das câmeras da Flock Safety em suas comunidades, contra 38% que ainda apoiam a tecnologia. O resultado marca uma reversão em relação ao ano passado, quando a maioria dos entrevistados se declarava favorável.

O levantamento reforça o clima de backlash já registrado em atos de vandalismo contra as câmeras: a Flock opera mais de 120 mil leitores de placas pelo país, e uma onda de casos de uso indevido por policiais tem levado dezenas de comunidades americanas a rejeitar ou cancelar contratos com a empresa.


Atualização (28/08, 21:46): Os cancelamentos de contratos com a Flock Safety atingiram ritmo recorde em agosto de 2026. Segundo levantamento do grupo de ativismo DeFlock, mais de 90 cidades e condados americanos já desativaram câmeras ou encerraram contratos com a empresa somente neste ano, em pelo menos 23 estados, com destaque para Califórnia e Wisconsin. No Arizona, as cidades de Tempe e Cave Creek encerraram seus contratos no mesmo dia, em 26 de agosto — Tempe desligou toda a rede de leitores de placas e decidiu não contratar substituto, enquanto Cave Creek citou preocupações com privacidade, casos de uso indevido em outras regiões e o furto de uma das câmeras do sistema.

A pressão sobre a empresa também ganhou dimensão política em Washington: no mesmo período, o senador republicano Josh Hawley abriu uma investigação formal contra a Flock, dando prazo até 8 de setembro para a empresa entregar documentos, enquanto o senador independente Bernie Sanders anunciou que pretende propor legislação para restringir o uso da tecnologia. A Flock afirma operar uma rede com mais de 120 mil câmeras em 49 estados, escaneando mais de 20 bilhões de veículos por mês.

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