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Gadgets06 de nov. de 2026, 07:45

AMG GT 4-Door elétrico troca V8 por 3 motores e chega a 1.169 cv

No first drive em Málaga, o novo AMG GT 4-Door Coupe trocou o V8 biturbo por três motores elétricos de fluxo axial, tecnologia que promete mais potência em menos espaço. O resultado: até 1.169 cv e 0-100 km/h em 2,1 segundos.

Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets

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O motor que cabe na palma da mão

A Mercedes-AMG, divisão de alto desempenho da Mercedes-Benz, acaba de testar com jornalistas em Málaga, na Espanha, a versão mais radical do GT 4-Door Coupe até hoje: uma edição 100% elétrica que abandona o V8 biturbo e aposta em três motores de fluxo axial (axial flux), tecnologia desenvolvida pela britânica YASA, comprada pela Mercedes em 2021.

Na prática, a diferença é de arquitetura: motores radiais convencionais (os usados na maioria dos EVs atuais) têm o fluxo magnético na direção radial do rotor, exigindo mais espaço axial. Já o motor de fluxo axial tem o campo magnético alinhado paralelamente ao eixo de rotação, parecendo mais um disco fino do que um cilindro. Segundo as especificações divulgadas pela AMG, cada motor traseiro mede cerca de 8 cm de largura e o dianteiro, 9 cm — um tamanho impensável para a potência que entregam.

Números que impressionam no papel e na pista

O novo GT 4-Door vem em duas versões. O GT 55 tem um motor na frente e dois atrás, somando 600 kW (816 cv) e 1.800 Nm de torque. Já o GT 63 — a versão mais potente que a AMG já produziu em série — chega a 860 kW (1.169 cv) e 2.000 Nm, com 0-100 km/h em 2,1 segundos. A bateria de 106 kWh permite autonomia WLTP de até 700 km e recarrega 460 km em apenas 10 minutos, graças ao sistema de 600 kW.

As primeiras impressões de condução, colhidas nas serras de Málaga, descrevem um carro que desafia o estigma de que "todo elétrico dirige igual": o GT 4-Door é apontado como ágil, capaz de ser levado de lado em curvas e com uma sonorização sintética que, mesmo não sendo idêntica ao rugido do V8 anterior, reforça a personalidade esportiva. A suspensão é totalmente nova e o sistema de resfriamento da bateria foi descrito como "extremamente sofisticado" para sustentar a potência sem perda de desempenho em uso contínuo — um ponto fraco histórico de motores elétricos convencionais.

Vale o preço no Brasil?

Nos EUA, os preços de partida giram em torno de US$ 145 mil para o GT 55 e US$ 175 mil para o GT 63 (antes de taxas), com entregas previstas entre o fim de 2026 e início de 2027. Não há, até agora, preço oficial ou previsão de chegada ao Brasil. Historicamente, modelos AMG de alto desempenho chegam ao país com ágio relevante sobre o preço americano — o atual AMG GT a combustão, por exemplo, supera a marca de R$ 1,5 milhão no mercado nacional. Se o GT 4-Door elétrico seguir esse padrão, dificilmente será um carro de uso cotidiano para o consumidor brasileiro — mas, como vitrine tecnológica da eletrificação da AMG, já cumpre seu papel.

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