
Anatel estende até 2029 sandbox de celular via satélite da Vivo
Prazo que venceria em outubro deste ano salta quase três anos, dando à Telefônica Brasil mais tempo para testar conexão direta entre celular e satélite, tecnologia negociada com a SpaceX.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
De outubro de 2026 para abril de 2029: quase três anos a mais de sandbox
A Anatel decidiu esticar em praticamente 30 meses o prazo do ambiente regulatório experimental usado pela Telefônica Brasil, controladora da Vivo, para testar a tecnologia Direct-to-Device (D2D) — conexão direta entre celular comum e satélite, sem antena parabólica ou equipamento externo. Pelo Ato 11.334, publicado no Diário Oficial da União em 16 de setembro, a autorização que venceria em 22 de outubro deste ano agora vai até 22 de abril de 2029. O pedido partiu da própria Telefônica em junho, sob o argumento de que o tempo restante do sandbox era insuficiente para testes representativos em escala nacional.
A autorização vale para todo o território brasileiro, nas frequências de 2.567,5 MHz e 2.687,5 MHz, com largura de banda de 5 MHz cada e potência máxima de transmissão de 100 W — faixas que hoje fazem parte do espectro 4G já detido pela Vivo. A operação segue em caráter secundário, ou seja, sem proteção garantida contra interferência prejudicial, e a operadora precisa reportar riscos identificados e entregar relatório final ao fim do experimento.
Starlink no radar, mas sem confirmação oficial
A Vivo negocia com a SpaceX, empresa de Elon Musk dona da rede de satélites Starlink, para oferecer conectividade direta via satélite a partir dessa autorização. A própria SpaceX pediu confidencialidade à FCC, reguladora americana de telecomunicações, sobre a identidade do parceiro operador, as frequências e as áreas de serviço envolvidas — o que mantém a parceria sem confirmação pública explícita até agora. A norma da Anatel, aliás, permite que os testes avancem "com qualquer operadora", desde que a agência seja notificada, deixando a porta aberta para outros parceiros de satélite além da Starlink.
Por que a extensão importa
Para a Vivo, o prazo mais longo reduz a pressão para provar em poucos meses uma tecnologia que promete cobrir áreas sem sinal de 5G ou 4G — um diferencial competitivo relevante num mercado de telecom onde cobertura rural e de borda ainda é ponto fraco. Para a Anatel, estender o sandbox em vez de liberar a operação comercial plena sinaliza cautela regulatória: a agência ainda não fechou as regras definitivas do setor, mesmo enquanto testes com exploração comercial já são permitidos dentro do ambiente experimental. O resultado prático é que consumidores brasileiros podem começar a ver anúncios de celular com sinal de satélite antes que exista uma regulamentação D2D consolidada.