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Segurança19 de set. de 2026, 11:01

Anatel manda bloquear empresas após 4,3 milhões de ligações fraudulentas

Agência determinou suspensão da ELO Contact Center e da Voros Telecomunicações por spoofing e exigiu que operadoras como Algar, Surf, Itelco e TIM rastreiem e entreguem dados de chamadas suspeitas.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) determinou, em 16 de setembro de 2026, o bloqueio da capacidade de originar chamadas de duas empresas apontadas como responsáveis por milhões de ligações com sinais de spoofing — a fraude que falsifica o número de origem da chamada para enganar quem atende. Os despachos miram a ELO Contact Center Serviços, empresa de telemarketing do Grupo Elo suspensa por um mês na rede da TIM, e a Voros Telecomunicações, bloqueada nas redes de Algar, Datora e Foco. As duas empresas somam cerca de 4,3 milhões de chamadas com indícios de fraude, segundo levantamento da própria agência.

Além dos bloqueios, a Anatel abriu uma fiscalização mais ampla: operadoras como Algar, Surf, Itelco e TIM foram intimadas a rastrear, chamada a chamada, a origem de tráfego suspeito identificado em auditoria entre 27 de maio e 15 de junho de 2026 — período em que a rota associada à Algar registrou mais de 12,8 milhões de chamadas com sinais de spoofing, seguida por Surf (9,5 milhões), Itelco (6,3 milhões) e uma rota de interconexão com a TIM via US Matrix (2,1 milhões).

Quem é afetado

A determinação atinge operadoras e empresas de telemarketing que originam ou transportam esse tráfego, mas o efeito prático chega a qualquer consumidor que recebe ligações de números falsificados, simulando DDDs locais ou contatos conhecidos para aplicar golpes. As empresas notificadas têm até cinco dias para bloquear as chamadas e até 30 dias para entregar à Anatel relatórios de rastreamento em CSV, com dados individualizados por chamada. Quem não cumprir arrisca ter rotas e interconexões inteiras bloqueadas.

O que fazer agora

Veja como se proteger de ligações fraudulentas no dia a dia:

  • Desconfie de números "conhecidos" ou com seu próprio DDD: o spoofing falsifica a identificação de chamada, então o número exibido não garante quem está ligando.
  • Nunca confirme dados pessoais ou financeiros por telefone a partir de ligação não solicitada, mesmo que o interlocutor diga representar banco, operadora ou órgão público.
  • Desligue e ligue de volta pelo canal oficial (app do banco, site da empresa) se a chamada pedir ação urgente.
  • Denuncie à Anatel pelo número 1331 ou pelo aplicativo e site da agência, informando data, horário e número exibido.
  • Use bloqueadores de chamada da operadora ou aplicativos de identificação para reduzir contatos suspeitos.
  • Registre boletim de ocorrência se a ligação resultar em prejuízo financeiro, e contate o banco imediatamente para tentar reverter transações.

A Anatel espera que o rastreamento chamada a chamada ajude a identificar quem está por trás dessas operações, mas a recomendação para o consumidor continua a mesma: tratar como suspeita qualquer ligação inesperada que peça dados ou dinheiro.


Atualização (17/09, 18:45): Atualização: A Anatel detalhou as medidas cautelares anunciadas para conter as ligações com número de origem adulterado (spoofing). Ao todo, a agência emitiu seis medidas cautelares contra quatro empresas de telecomunicações: Algar, Itelco, Surf e TIM. As determinações mandam bloquear os tráfegos associados às companhias envolvidas nos casos investigados, prática que também esteve na origem das 4,3 milhões de ligações fraudulentas identificadas anteriormente.

TIM e Algar têm prazo de cinco dias, a contar do recebimento de cada decisão, para executar os bloqueios determinados pela agência. Já as quatro empresas — Algar, Itelco, Surf e TIM — terão até 30 dias para apresentar à Anatel relatórios detalhados sobre a origem e as rotas do tráfego investigado. Segundo a agência, o descumprimento das determinações pode resultar no bloqueio das interconexões e rotas utilizadas para transportar as chamadas fraudulentas.

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