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MercadoGadgets27 de out. de 2026, 17:37

Anduril e Qualcomm criam BlueChip, laptop 90% feito nos EUA para 2027

Joint venture entre a fabricante de defesa Anduril e a Qualcomm promete notebooks reforçados com componentes majoritariamente americanos, começando por um modelo militar com chip Snapdragon X.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O pedido abre em 2027, e o preço já tem um número

Anduril — empresa de defesa e tecnologia militar fundada por Palmer Luckey, criador do Oculus — e Qualcomm, uma das maiores fabricantes de chips do mundo, anunciaram a BlueChip, linha de notebooks reforçados que as duas chamam de "feitos nos EUA" de verdade: não é só a montagem final, mas a origem dos componentes que muda. Segundo as empresas, cerca de 90% do custo de produção dos protótipos vem de fornecedores americanos ou de países aliados. Os pedidos devem abrir no início de 2027, e Luckey já deu um número concreto: o preço deve ficar cerca de 20% acima do de um notebook premium convencional.

Como a conta fecha (quase) 100% doméstica

Foto: reprodução/theverge.com

O primeiro protótipo é um modelo reforçado, resistente a chuva e poeira, pensado para militares, agências de governo, policiais e equipes de primeiro socorro nos Estados Unidos. Ele roda no Snapdragon X Series, chip baseado em arquitetura Arm, fabricado pela TSMC em uma planta no Arizona. A montagem das placas acontece na Arsenal-1, fábrica da própria Anduril em Ohio. O ponto fraco da cadeia, hoje, é a tela: o painel do display ainda depende de fornecedores chineses, embora o vidro de cobertura já seja produzido nos EUA. Luckey afirma ter um roteiro técnico para fechar essa lacuna e chegar a uma opção 100% doméstica com o tempo.

Quem ganha e quem fica de fora

A aposta da BlueChip não é só o hardware reforçado — é a cadeia de suprimentos auditável. Para agências federais americanas que já são obrigadas por lei a comprar computadores fabricados nos EUA, ter um fornecedor que mostra a origem de cada peça é uma vantagem comercial direta, não apenas um discurso patriótico. Luckey resumiu o produto como "o computador anti-vigilância": a ideia é que o comprador tenha controle total sobre o que está dentro da máquina, sem depender de componentes de origem incerta. Importante: nenhum dólar de subsídio federal entrou no projeto até agora — Anduril e Qualcomm estão financiando a iniciativa com recursos próprios.

Um mercado maior do que fuzileiros navais

Apesar da estreia blindada e militar, a dupla deixa claro que o objetivo da joint venture é mais amplo: usar essa base para expandir o catálogo além do nicho de defesa. O notebook vai suportar aplicações Windows, distribuições Linux específicas de governo e softwares legados, o que sinaliza compatibilidade pensada para operação real, não só para vitrine. Quem sai ganhando, no curto prazo, são fornecedores americanos de componentes e a própria Qualcomm, que reforça presença fora do mercado móvel com chips Arm em um segmento historicamente dominado por x86. Quem perde terreno são fabricantes que dependem de cadeias asiáticas sem essa rastreabilidade — a pressão regulatória por compras públicas "made in USA" tende a crescer, e a BlueChip chega para disputar esse espaço antes da concorrência se mexer.

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