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Gadgets03 de set. de 2026, 10:42

Anker entra no mercado de aparelhos auditivos OTC na IFA 2026

A Anker anunciou seus primeiros aparelhos auditivos vendidos sem receita, com chip THUS AI e foco em clareza de voz em ambientes ruidosos, logo após a controladora de Eargo e Lexie Hearing anunciar o fim das operações nos EUA.

Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets

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Anker aposta em áudio para os ouvidos que mais precisam

A Anker, marca que a essa altura já vende de power bank a robô aspirador, decidiu que também quer cuidar da sua audição. Na IFA 2026, em Berlim, a divisão Soundcore anunciou seu primeiro aparelho auditivo OTC (over-the-counter, vendido sem necessidade de receita médica ou consulta com audiologista). O timing chama atenção: o anúncio vem poucos dias depois de a LXE Hearing — empresa formada em 2025 pela fusão entre Eargo e a hearX, dona da Lexie Hearing, com aporte de US$ 100 milhões da Patient Square Capital — anunciar que vai encerrar suas operações nos Estados Unidos por não ter encontrado "um caminho viável para seguir em frente".

O que a Anker está prometendo

O novo aparelho usa o design receiver-in-canal, com o corpo principal apoiado atrás da orelha, e roda o chip proprietário THUS AI, o mesmo que já equipa fones e headphones recentes da Soundcore. Segundo a empresa, o chip processa 7,2 bilhões de operações por segundo e trabalha ao lado de um arranjo de microfones (relatos variam entre quatro microfones beamforming e um sistema de seis sensores, incluindo captação por condução óssea) para isolar a voz de quem está falando com você em ambientes barulhentos — o clássico problema do restaurante lotado ou da festa de família, que a própria Anker cita como a maior queixa de usuários de aparelhos auditivos.

Na bateria, a promessa é de 12 horas de uso contínuo e até 36 horas somando o estojo de recarga, com carregamento rápido: cinco minutos na case renderiam duas horas extras de uso, o que a marca classifica como o mais rápido do setor. Preço e data exata de lançamento ainda não foram revelados — a Anker fala em "ainda este ano", com detalhes prometidos para os próximos meses.

Um mercado que balança entre promessa e fragilidade

Desde que o FDA liberou a categoria OTC nos EUA em 2022, o setor vive um ciclo de expectativa alta e execução difícil. A Eargo e a Lexie Hearing eram referências justamente por miniaturização e integração com apps — e mesmo assim a companhia que as uniu não sobreviveu nem 15 meses. Entrar agora, com a escala de fabricação e a marca de consumo que a Anker já tem em áudio, pode ser uma jogada inteligente: ao contrário de startups de nicho, a empresa não depende só da venda do aparelho para se sustentar.

Ainda assim, aparelho auditivo é categoria sensível — envolve suporte contínuo, atualização de software e confiança de longo prazo, exatamente o que faltou à LXE. Fica a pergunta que muita gente no Brasil vai fazer assim que o produto for anunciado por aqui: vale o preço no Brasil?

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