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Mercado21 de out. de 2026, 14:39

Antes de existir, 6G já tem leilão disputado entre teles e emissoras

Claro, TIM e Vivo querem empurrar o leilão da faixa de 6 GHz para depois de 2030, enquanto a Abert cobra dinheiro do próprio certame para tirar emissoras de rádio e TV da frequência. No meio, a Anatel tenta destravar o calendário.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Dois a três anos de atraso é o que as teles pedem

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações, reguladora do setor) quer leiloar a faixa de 6 GHz até 2028, com as primeiras metas de uso vencendo já no fim de 2029. Claro, TIM e Vivo acham isso cedo demais e defendem empurrar o certame para depois de 2030 — justamente quando terminam as obrigações de investimento assumidas no leilão do 5G, em 2021. A lógica é financeira: nenhuma operadora quer tocar dois ciclos pesados de investimento em paralelo, ainda mais com o padrão técnico do 6G (Release 21 do 3GPP) só previsto para fechar em 2029.

Quem perde dinheiro com a demora

Foto: reprodução/teletime.com.br

O calendário não incomoda só quem paga o leilão. A Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) quer que parte do dinheiro arrecadado no certame financie a remoção de mais de 900 links de micro-ondas que hoje operam na faixa de 6 GHz — incluindo equipamentos críticos, como os da estação do Sumaré, no Rio, que atende a cerca de 7 milhões de telespectadores. Ou seja: enquanto as teles tentam ganhar tempo, as emissoras tentam garantir caixa para não ficar no escuro quando a faixa for realocada.

O capítulo que mais irrita as operadoras

Mais do que o prazo, o que tem gerado atrito mesmo é outra exigência da Anatel: vincular a compra de espectro de 6 GHz à obrigação de construir data centers regionais em áreas carentes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Claro e Vivo bateram de frente com a proposta nas audiências públicas — a agência quer núcleos de data center e nós de borda operados em modelo compartilhado pelas vencedoras do leilão, mas as teles argumentam que isso não tem base no decreto que rege a política de telecomunicações e que o compromisso deveria se limitar a cobertura e qualidade de conectividade, não a infraestrutura de nuvem.

O que está em jogo de verdade

A proposta da Anatel prevê dividir a faixa em dois blocos nacionais de 200 MHz mais blocos regionais de 200 MHz e 100 MHz — a Vivo já pede um terceiro bloco nacional. É a repetição de um roteiro conhecido: leilões de 450 MHz e 26 GHz também travaram por divergência de modelo. A diferença agora é o tamanho do bolo: a faixa de 6 GHz é tida pelo setor como a mais valiosa para o 6G, e por isso ninguém quer abrir mão de poder de negociação antes que o padrão nem exista. A consulta pública sobre o tema se encerra em 23 de outubro, e a audiência pública aconteceu em 21 de outubro — a Anatel ainda vai precisar costurar um acordo entre interesses opostos antes de bater o martelo.

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