
Antes do táxi aéreo decolar, Monterey Bay quer formar quem vai operá-lo
Região californiana com quatro aeroportos rurais e sede da Joby Aviation se antecipa: entidade econômica local articula colégios comunitários e universidades para formar pilotos e mecânicos de eVTOLs antes da demanda chegar.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Uma pergunta simples: quem vai consertar o táxi aéreo?
Antes de discutir se você vai andar de táxi aéreo, vale perguntar algo mais prático: quem vai pilotar essa aeronave e quem vai fazer a manutenção quando algo der errado? Na região da Costa Central da Califórnia, essa pergunta já virou plano de ação.
A Monterey Bay Economic Partnership (MBEP) — organização sem fins lucrativos que atua para fortalecer a infraestrutura e as habilidades necessárias à mobilidade aérea na região — está articulando colégios comunitários, o sistema da California State University, a University of California e escritórios de educação municipais para montar uma pipeline de formação técnica voltada a eVTOLs, os chamados "táxis aéreos": aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, que dispensam pista e prometem ligar cidades por rotas curtas.
Foto: reprodução/smartcitiesdive.com
Por que ali e por que agora
A região concentra quatro aeroportos rurais — Watsonville, Marina, Salinas e Hollister — e é vizinha de peso pesado do setor: a Joby Aviation nasceu em Santa Cruz e mantém academia de treinamento de pilotos e mecânicos no aeroporto de Watsonville. A Archer Aviation, outra fabricante do setor, começou em Palo Alto, também na Califórnia.
Em entrevista ao site americano Smart Cities Dive, a presidente e CEO da MBEP, Tahra Goraya, resumiu o raciocínio: "o passo crítico aqui é garantir que a força de trabalho esteja preparada". Segundo ela, a região pode "quase se tornar um polo nacional" do setor — mas isso exige gente formada antes da demanda chegar, não depois.
Nem toda vaga pede diploma de quatro anos
Goraya destacou que boa parte das vagas de manutenção — que envolvem sistemas de alta voltagem e software embarcado — não exige necessariamente diploma de dois ou quatro anos, abrindo espaço para cursos técnicos mais curtos. Por isso a MBEP quer levar noções do setor desde o ensino básico até programas pós-ensino médio.
A CEO foi honesta sobre o que ainda não se sabe: "certamente há muito burburinho sobre empregos e o potencial de vagas, mas ainda não sabemos exatamente quais serão esses números". Ou seja: entusiasmo há, mas ninguém apresentou planilha de quantos postos de trabalho, nem valores de investimento no programa.
O calendário do setor
O horizonte citado pela reportagem original é gradual: seis estados americanos devem ter serviços de táxi aéreo operando já em 2026; a expansão para mais áreas urbanas e rurais é prevista para 2030; e voos totalmente autônomos entrariam em cena só a partir de 2035. A FAA já publicou, em outubro de 2024, regra final que define treinamento de pilotos e regras de operação para eVTOLs — a primeira categoria nova de aeronave certificada nos EUA em quase 80 anos.
Fica a pergunta que interessa a qualquer cidadão antes de aeronaves elétricas sobrevoarem sua cidade: quem paga a formação, quem fiscaliza a manutenção e o que acontece se a demanda por pilotos crescer mais rápido que as salas de aula?