
Anthro Energy investe US$ 42 mi em fábrica de eletrólitos em Kentucky
A startup de materiais para baterias Anthro Energy iniciou as obras de uma fábrica de US$ 42 milhões em Louisville, com capacidade para 25 GWh de eletrólitos por ano — insumo-chave para baterias de estado sólido livres da cadeia chinesa.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 42 milhões para tirar a China da equação
A Anthro Energy começou a construir sua fábrica em Louisville, no Kentucky, com um aporte de US$ 42 milhões — soma de US$ 24,9 milhões vindos do Departamento de Energia dos EUA (via Lei de Infraestrutura Bipartidária), US$ 18,4 milhões em créditos fiscais de investimento (Lei de Redução da Inflação) e US$ 2,3 milhões em incentivos do estado do Kentucky, condicionados à criação de 110 empregos permanentes. A planta vai produzir Anthro Proteus, o polímero eletrólito patenteado da empresa, usado tanto em baterias de íon-lítio convencionais quanto em baterias de estado sólido e semi-sólido.
A conta da capacidade
Quando entrar em operação, em 2028, a fábrica terá capacidade para 25 gigawatt-hora de eletrólitos por ano, o equivalente a 12 mil toneladas métricas — volume suficiente para abastecer mais de 300 mil veículos elétricos. A localização em Louisville não é acaso: o site fica a 12 horas de estrada de 70% das instalações de produção de baterias dos Estados Unidos, o que reduz custo logístico para os clientes.
Quem ganha: fabricantes que buscam fugir da China
O pano de fundo é a corrida das montadoras e fabricantes de baterias por materiais livres da chamada "entidade estrangeira de interesse" — jargão regulatório para insumos controlados por empresas chinesas. Segundo o CEO e cofundador David Mackanic, a proposta é simples: "quando abrirmos, vamos atender clientes domésticos de alto padrão que só precisam de eletrólitos — uma fonte doméstica de fornecimento livre da China". A Anthro entra nesse nicho num momento em que empresas chinesas miram colocar baterias de estado sólido em produção-teste já em 2027, pressionando rivais americanos a acelerar o passo.
O caminho até aqui
A Anthro Energy, sediada em San Jose, levantou sua primeira rodada há apenas quatro anos. Em fevereiro de 2024, fechou uma Série A de US$ 20 milhões liderada pela Collaborative Fund, com participação de Union Square Ventures, Emerson Collective, Voyager Ventures, Energy Revolution Ventures, Ultratech Capital Partners, Nor'easter Ventures e Overlap Holdings — capital que financiou uma planta-piloto na Bay Area. Agora, o salto para escala industrial em Kentucky marca a transição de protótipo para produção comercial, com o governo dos EUA bancando boa parte da conta via subsídios federais e estaduais — uma aposta explícita em blindar a cadeia de baterias americana da dependência chinesa antes que o estado sólido vire padrão de mercado.