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Mercado19 de set. de 2026, 11:00

Anthropic adia IPO para novembro à espera de balanço forte no 3º tri

Assessores da empresa avaliam que esperar até novembro permite mostrar resultados do terceiro trimestre que comprovem posição competitiva sólida, enquanto cresce o debate sobre desacelerar a IA.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 2 trilhões é o número que baliza a espera

A Anthropic empurrou sua estreia na bolsa de outubro para novembro de 2026. Segundo assessores ligados à operação, o adiamento não é sobre frio nos pés: é sobre calendário contábil. Esperar mais algumas semanas permite à empresa apresentar resultados financeiros do terceiro trimestre que comprovem, com números na mão, uma posição competitiva forte diante da concorrência.

A avaliação esperada para o IPO gira em torno de US$ 2 trilhões (R$ 10,6 trilhões), com captação que pode chegar a US$ 100 bilhões (R$ 530 bilhões) — o que colocaria a oferta entre as maiores da história do mercado acionário americano. A companhia projeta receita anualizada acima de US$ 110 bilhões (R$ 583 bilhões) até o fim do ano, patamar que os assessores querem exibir antes de tocar o sino na bolsa.

Quem ganha e quem perde com a demora

O adiamento não acontece no vácuo. Ele coincide com um momento em que o próprio CEO da Anthropic, Dario Amodei, vem defendendo publicamente a ideia de desacelerar o desenvolvimento de IA, alegando que os riscos das ferramentas de ponta atuais já seriam grandes demais para manter o ritmo acelerado do setor — um discurso que soa, no mínimo, contraditório para uma empresa prestes a captar dezenas de bilhões de dólares no mercado.

Quem ganha com o adiamento é a própria Anthropic, que evita estrear em bolsa logo após o lançamento do modelo Astra pela OpenAI em setembro, concorrente que também negocia uma rodada de financiamento avaliando a empresa em mais de US$ 1,2 trilhão. Quem perde, ao menos no curto prazo, são os investidores que já haviam se posicionado para uma janela em outubro e agora precisam esperar mais um mês — com o risco de a data mudar novamente, como já ocorreu antes: o IPO já havia sido remarcado de setembro para outubro.

Executivos como Jared Kaplan, Benjamin Mann e Andrej Karpathy participaram de encontros recentes com investidores na sede da empresa para discutir novos produtos, sinal de que a companhia segue tocando sua agenda comercial em paralelo ao debate sobre freios regulatórios — dois movimentos que, por ora, caminham em paralelo sem se cruzar.

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