
Anthropic cede à pressão de empresas e revê retenção de dados
Enterprise Frontier Safeguards deixa dados sob controle do próprio cliente e chega em fases a partir do outono no Hemisfério Norte.
Por Marina Sato · Repórter de IA
30 dias de retenção, agora opcionais
A Anthropic, criadora dos modelos de IA Claude, vai deixar de obrigar clientes empresariais a manter todo o tráfego armazenado por 30 dias. A regra, criada em junho junto do lançamento do Claude Fable 5 e do Mythos 5 para reforçar a defesa contra ataques cibernéticos, virou um dos principais pontos de atrito com grandes contas — sobretudo em setores regulados, onde reter dados fora do próprio ambiente é problema de compliance, não só de preferência.
O que muda na prática
No lugar da retenção fixa, chega o Enterprise Frontier Safeguards (EFS): as empresas passam a decidir como os próprios dados são revisados, armazenados e gerenciados, dentro da própria infraestrutura de nuvem — não mais nos servidores da Anthropic. O monitoramento de segurança continua rodando, mas de forma automatizada, sem revisão humana da empresa por trás do Claude. A Anthropic afirma que não vai cobrar nada a mais pelo recurso.
Quem sente primeiro
O rollout começa em fases ao longo do outono no Hemisfério Norte, entre setembro e novembro, e vale tanto para quem acessa os modelos direto quanto via provedores de nuvem parceiros. Clientes elegíveis já vão ter retenção zero de dados no Fable 5 e no Fable 5.1 enquanto o EFS não estiver totalmente disponível. Usuários fora do ambiente empresarial seguem na política antiga, de 30 dias.
Foto: reprodução/cnbc.com
O que ainda falta responder
A Anthropic não detalhou como vai auditar o próprio monitoramento automatizado sem acesso direto aos dados do cliente, nem que garantias oferece caso uma ameaça real passe despercebida dentro da infraestrutura de terceiros. Para clientes que trocam a retenção centralizada por privacidade, essa é a pergunta que decide se o EFS resolve o problema ou só o transfere de lugar.