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Mercado19 de out. de 2026, 11:01

Anthropic contrata menos juniores e dobra tempo em reuniões

Relatório da Anthropic mostra que a fatia de contratações técnicas juniores caiu de 27% para 9% em um ano, enquanto o tempo em reuniões subiu 20% por funcionário. A empresa credita a mudança à automação crescente de tarefas por agentes de IA.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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9%: a fatia de vagas técnicas juniores que restou na Anthropic

A proporção de contratações técnicas juniores na Anthropic, criadora do assistente de IA Claude e rival da OpenAI, despencou de 27% para 9% desde o início de 2025. É o número que resume o relatório "Employment at Anthropic", publicado nesta semana pela própria empresa, que documenta como sua força de trabalho mudou de perfil em meio à adoção interna intensiva de IA.

Menos juniores, menos gente técnica, mais reunião

O recuo não se limita às novas contratações. A fatia de funcionários juniores dentro das equipes técnicas caiu de 21% para 14% no mesmo período. E as próprias equipes técnicas perderam peso relativo na empresa: representavam 61% do quadro total e agora somam 56%, à medida que áreas comerciais crescem e ferramentas de codificação permitem que gente de fora da engenharia também produza software.

Ao mesmo tempo, o tempo gasto em reuniões aumentou 20% por funcionário em relação ao ano anterior — entre os profissionais técnicos, o aumento foi de 16%. A Anthropic atribui o movimento à necessidade de mais "confiança humana e responsabilidade" conforme o trabalho operacional migra para sistemas automatizados.

Quem ganha e quem perde

O retrato que emerge é de uma empresa que troca execução por supervisão. Segundo o próprio relatório, até agosto os agentes de IA acionados por funcionários já acumulavam seis vezes mais horas de trabalho do que seus operadores humanos, e o volume de commits de código por engenheiro cresceu cinco vezes em seis meses. Em pesquisa interna de abril, 20% dos funcionários disseram ter passado de "fazer o trabalho" para "gerenciar Claudes" — uma referência direta ao produto da própria empresa.

Quem perde nessa reconfiguração é o profissional técnico em início de carreira, tradicionalmente a porta de entrada para empresas de tecnologia. Quem ganha é o funcionário sênior com capacidade de supervisionar múltiplos agentes de IA simultaneamente, além das áreas comerciais, que ampliam espaço dentro da companhia. A Anthropic argumenta que sua própria experiência interna pode ser um indicador de como a IA vai remodelar a organização do trabalho, a contratação e a demanda por mão de obra em toda a economia.

Para o mercado brasileiro de tecnologia, o dado funciona como um alerta precoce: se a tendência se confirmar em outras empresas de IA e software, o caminho clássico de entrada via vagas juniores pode encolher antes que novas rotas de qualificação profissional se consolidem.

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