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IASegurança19 de out. de 2026, 10:53

Anthropic dá à ONG METR acesso 'quase de funcionário' para fiscalizar IA

A Anthropic, criadora do assistente de IA Claude, passou a dar à organização sem fins lucrativos METR acesso interno equivalente ao de funcionários, permitindo que ela publique suas avaliações de risco sem poder de veto da empresa.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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O que a Anthropic anunciou

Imagine uma fábrica que, em vez de só deixar um fiscal externo dar uma passada rápida uma vez por ano, entrega a esse fiscal um crachá, uma mesa e as mesmas senhas de acesso que seus próprios funcionários têm. Foi mais ou menos isso que a Anthropic, criadora do assistente de IA Claude, fez em 15 de outubro de 2026 ao anunciar que passou a dar "acesso quase de funcionário" a uma equipe da METR (Model Evaluation and Threat Research), organização sem fins lucrativos de Berkeley, na Califórnia, dedicada a avaliar riscos de modelos de inteligência artificial de ponta.

O que significa "acesso quase de funcionário"

Foto: reprodução/techcrunch.com

Na prática, seis integrantes da METR passaram a frequentar o escritório da Anthropic em São Francisco com computadores da própria empresa, participando de reuniões internas e lendo a mesma documentação de risco que as equipes de segurança da Anthropic leem — incluindo relatórios como o "August Risk Report" de 2026. É um nível de acesso bem diferente de uma auditoria tradicional, que costuma ser pontual e limitada a documentos selecionados pela própria empresa auditada.

Existem exceções claras: dados de clientes, informações protegidas por sigilo advocatício e detalhes sensíveis sobre a arquitetura dos modelos ficam fora do alcance da METR.

O detalhe que muda o jogo: liberdade para publicar

O ponto mais relevante do acordo é que a Anthropic renunciou ao poder de vetar as publicações da METR. A organização pode divulgar suas próprias análises sobre riscos, incidentes e práticas de segurança da empresa sem precisar de aprovação prévia. A Anthropic ainda pode pedir redações pontuais, mas apenas em categorias de informação definidas previamente — não pode simplesmente bloquear uma conclusão desfavorável.

Foto: reprodução/cnbc.com

Vale lembrar o contexto: segundo reportagens que acompanharam o caso, uma investigação da agência Reuters publicada poucos dias antes, em 5 de outubro, revelou que a própria Anthropic ainda buscava autoridade editorial rígida sobre relatórios de avaliadores. O anúncio do acesso ampliado veio no dia seguinte a essa revelação.

Outros fiscais e um sistema de camadas

A Anthropic afirma estar construindo um sistema de três camadas de avaliadores externos. No nível mais básico, organizações como a SecureBio — que revisa o capítulo sobre armas químicas e biológicas dos relatórios de risco — fazem análises mais restritas e dependem de aprovação da empresa para publicar. Num nível intermediário, os avaliadores já podem publicar sem aprovação prévia. A METR ocupa o topo dessa hierarquia, com o acesso mais amplo de todos.

Benefícios e limites da fiscalização externa

O lado positivo é evidente: ter observadores independentes circulando pelos corredores de uma empresa de IA, sem poder de censura sobre o que publicam, aumenta a confiança pública nas avaliações de segurança. Mas vale lembrar que a própria Anthropic escolhe quem recebe esse acesso e define as categorias de informação que podem ser redigidas — ou seja, a independência tem limites definidos pela empresa fiscalizada. O movimento também se conecta ao "White House Accord on Super Intelligence", acordo no qual empresas de IA se comprometeram a firmar parcerias com avaliadores e auditores externos independentes.

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