
Anthropic fatura R$ 84,7 bi no trimestre antes de ir à bolsa
A desenvolvedora do chatbot Claude faturou US$ 16,8 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 45% sobre o período anterior, e teve lucro ajustado pela primeira vez. Os números abrem caminho para um IPO que pode avaliar a empresa em mais de US$ 2 trilhões.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 16,8 bilhões — ou R$ 84,7 bilhões na cotação atual. Foi o que a Anthropic, startup de inteligência artificial criadora do chatbot Claude e rival direta da OpenAI, faturou no terceiro trimestre de 2026, segundo dados revelados a investidores em reunião pré-IPO nesta quarta-feira (14). O salto é de 45% sobre os US$ 11,6 bilhões do trimestre anterior, e a trajetória do ano mostra a velocidade do crescimento: US$ 4,7 bilhões no primeiro trimestre, US$ 11,6 bilhões no segundo, US$ 16,8 bilhões no terceiro. Para efeito de comparação, a receita de todo o ano de 2025 havia somado pouco menos de US$ 4,6 bilhões — ou seja, a empresa já fatura em um único trimestre quase quatro vezes o que faturou no ano inteiro anterior.
O primeiro lucro
O dado que mais chama atenção de investidores não é só a receita, mas a chegada do lucro ajustado pela primeira vez na história da companhia — depois de um ano anterior em que as perdas operacionais superaram US$ 8 bilhões, consumidas majoritariamente por infraestrutura e poder computacional. A Anthropic tenta vender aos futuros acionistas a tese de que a escala agora compensa o custo de rodar modelos de IA cada vez mais pesados, mas a "rentabilidade sustentável" ainda é a pergunta que ronda qualquer análise sobre a empresa.
A conta de US$ 518 bilhões
Quem ganha com o momento é a própria Anthropic, que mira uma avaliação superior a US$ 2 trilhões (R$ 10,1 trilhões) na oferta pública de ações, prevista para depois das eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro. Mas o tamanho do compromisso assumido mostra o quanto a conta de IA é cara: a empresa já se comprometeu com pelo menos US$ 518 bilhões em dez anos para serviços de nuvem e capacidade computacional. É dinheiro que precisa vir de algum lugar — provedores de nuvem e fabricantes de chips estão entre os que mais ganham com esses contratos bilionários, enquanto a própria Anthropic assume o risco de uma aposta de longuíssimo prazo.
Quem perde se o mercado não comprar a história
Se o IPO sair como planejado, a Anthropic testará o apetite do mercado por empresas de IA generativa justamente num momento de ceticismo crescente sobre a relação entre investimento astronômico em infraestrutura e retorno real. Quem perde, nesse cenário, são os concorrentes menores que não têm caixa para sustentar contratos de centenas de bilhões de dólares — e, no limite, os próprios investidores, caso a aposta de que a receita vai continuar dobrando a cada trimestre não se confirme.