
Anthropic fecha US$ 45 bi com a Nscale em nova rodada de compra de capacidade
Acordo de seis anos com a britânica Nscale usa chips Nvidia Vera Rubin e é o mais recente de uma sequência de contratos bilionários que a Anthropic vem assinando para não ficar atrás da OpenAI na corrida por poder computacional.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
US$ 45 bilhões. É o valor do contrato de seis anos que a Anthropic acaba de fechar com a Nscale, empresa britânica de infraestrutura de IA fundada em 2024, segundo a TechCrunch. Pelo acordo, a Anthropic vai alugar cerca de 460 megawatts de capacidade computacional a partir do data center principal da Nscale na Virgínia Ocidental, com operação prevista para começar no final de 2027.
O chip por trás do contrato
A capacidade será entregue via Nvidia Vera Rubin, o novo sistema de chips da fabricante que combina seis componentes distintos operando em conjunto. Na prática, a Anthropic está comprando adiantado uma fatia relevante da próxima geração de hardware de IA antes mesmo de sua disponibilidade plena no mercado.
Uma sequência, não um caso isolado
O acordo com a Nscale é só o mais recente capítulo de uma escalada que a Anthropic vem promovendo nos últimos oito meses. Em abril, fechou uma ampliação de 5 gigawatts com a Amazon e uma expansão com Google/Broadcom. Em maio, assinou com a SpaceX um contrato avaliado em US$ 1,25 bilhão por mês. Em julho, foi a vez de um acordo de US$ 5 bilhões com a AMD. Em agosto, antes mesmo do anúncio da Nscale, a empresa já havia fechado US$ 10 bilhões com a Volta. Somados, os contratos desenham um padrão claro: a Anthropic está comprando capacidade computacional em um ritmo dificilmente visto antes por uma empresa de IA que ainda não é listada em bolsa.
Quem ganha com isso
A Nscale sai fortalecida como fornecedora de infraestrutura de ponta, cravando um contrato bilionário com um dos laboratórios de IA mais valorizados do momento — reforçando sua posição num mercado historicamente dominado por nomes como CoreWeave. Para a Anthropic, a lógica é competitiva: segundo a TechCrunch, a companhia busca capacidade suficiente para não ficar para trás frente à OpenAI, que também vem fechando acordos multibilionários de infraestrutura. O contraponto é o risco financeiro: a soma desses compromissos de longo prazo eleva substancialmente a exposição da Anthropic a contratos de capacidade que precisarão ser pagos independentemente da trajetória de receita da empresa nos próximos anos.