
Anthropic pede aos acionistas 50,1% do voto para os fundadores antes do IPO
A empresa por trás do Claude quer blindar o controle de sete cofundadores com uma classe especial de ações inspirada no modelo da Palantir, mesmo que a fatia econômica deles no negócio seja muito menor.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa: 50,1%
É esse o poder de voto que os sete cofundadores da Anthropic, liderados pelo CEO Dario Amodei, estão pedindo para controlar na maioria das decisões corporativas da empresa antes de uma eventual oferta pública inicial de ações. A Anthropic, criadora do assistente de IA Claude e fundada em 2021 por ex-executivos da OpenAI, pediu aos acionistas que aprovem uma estrutura de ações com direitos de voto especiais que garanta essa maioria mesmo que a participação acionária dos fundadores seja muito menor. Hoje, cada um dos sete detém cerca de 2% da empresa.
Voto sem dono
A engenharia é simples de entender e incomum na prática: as novas ações não dão direito a mais lucro nem a uma fatia maior em uma eventual venda da empresa — só voto. A Anthropic quer separar poder de decisão de propriedade econômica, um desenho que os fundadores só perdem se menos de três deles mantiverem uma participação mínima na empresa. A referência declarada é a Palantir, que adota modelo semelhante de controle fundador.
O que fica de fora
A eleição do conselho de administração — hoje com sete assentos — permanece majoritariamente nas mãos do Long-Term Benefit Trust da Anthropic, entidade que inclui o ex-presidente do Federal Reserve Ben Bernanke. Os fundadores, porém, ampliam sua presença no board de dois para três cadeiras. A empresa também planeja criar uma classe separada de ações para funcionários, que poderá atuar como voto de desempate em questões corporativas específicas.
Quem ganha, quem assume o risco
Os fundadores ganham blindagem: mantêm o comando estratégico da companhia mesmo diluídos por rodadas bilionárias de investimento e por uma oferta pública que deve movimentar somas recordes — a Anthropic foi avaliada em US$ 965 bilhões na rodada Série H de maio. Quem entra depois — novos investidores institucionais e o público que comprar ações na estreia em bolsa — assume o outro lado da equação: capital com peso financeiro, mas voz política limitada nas decisões que mais importam. A votação dos acionistas sobre a proposta é esperada para os próximos dias.